
O Senhor Palomar quer. Muito. [Clicar para aumentar].
Faz hoje 50 anos. É muito ano a comer javali. Entretanto, e para homenagear o pai da BD portuguesa de forma mais criativa, demoliu-se a casa em que Stuart Carvalhais viveu. A Câmara Municipal não exerceu o direito de preferência. O Senhor Palomar aguarda o dia em que a edilidade venha promover um qualquer concurso com o nome do pintor.
Martin Amis inspira-se numa celebridade televisiva.

Ler no The Guardian.
Por Angelo Gonzalez.
A obra chegará às livrarias no próximo mês de Novembro. Recorde-se que este é o primeiro romance do autor de Materna Doçura na Quetzal. Anteriormente, Possidónio Cachapa publicara na Assírio e Alvim (o livro de estreia foi aí), mudando-se posteriormente para a Oficina do Livro.

Segundo o escritor, o romance passará a ser uma área de culto da publicação de livros.
No Times.
Mas é péssimo com números. O Senhor Palomar agradece a atenção de tão distinto blogger, pois é pelo menos a terceira vez que refere o narrador deste blog (embora quase sempre para falar de audiências). O Senhor Palomar gosta do Maradona, o seu blogue é um bom blogue. Merece ser visto e visitado, lido de fio a pavio, relido se possível. Tem muitos visitantes, tem ainda mais visitas (convém perceber bem estes dois conceitos). Mas o Senhor Palomar não entende o porquê desta perseguição com as medições e com os tamanhos das audiências. Não que o Senhor Palomar se importe com isso, note-se. Quanto ao comentário que o Senhor Palomar parece ser a mesma coisa que o Bibliotecário de Babel, uma repetição do que já dissera antes - note-se, o Senhor Palomar agradece o cumprimento: ser comparado a José Mário Silva é para ele elogioso (embora não o seja decerto para JMS).
O Senhor Palomar reitera o que disse já uma vez. O Senhor Palomar não está aqui para incomodar e não quer ser uma fonte de distúrbio da ordem pública. Deseja por isso vida longa a Maradona, aos dois se possível, e espera continuar a ler aquele blogger com a sofreguidão do costume. Mais, está completamente preparado para ser olimpicamente enxovalhado por Maradona, no seu blog. Assim como assim, com as visitas que o blogue A causa foi modificada dá, pode ser que o Senhor Palomar passe a exibir um tamanho que seja mais do agrado de Maradona.



Imagens retiradas do site d' A BOLA.
Francamente, Jorge Jesus. É isto a que o amigo do Senhor Palomar chama equilíbrio? Ao terceiro golo festejado, o Senhor Palomar já pensava: «já chega, não vale a pena humilhar». O Senhor Palomar propõe que se substituam os olés no estádio, ontem começaram-se a ouvir aos 55 minutos, por vaias de "Calma, calma". O Senhor Palomar conta ainda com os senhores árbitros para continuar a invalidar golos e outros truques, a que já habituaram a boa massa associativa encarnada. Dessa forma, talvez haja alguma equipa que perca só por diferença de dois, três, vá. Mas o Senhor Palomar avisa já que Jesus é um tipo nervoso...
Entretanto, tempo ainda para reproduzir um excerto do jornal O JOGO (estas coisas são tão raras naquele jornal que é sempre de registar): «Afinal, Jorge Jesus também falha. O treinador do Benfica tinha previsto um jogo com poucos golos, talvez para não habituar os adeptos a tanta lagosta, e acabou com mais uma goleada na Liga.»
PS: Agora é que o Senhor Palomar gostava de ouvir as vozes trocistas que tanto escarneceram Aimar e que acharam que o ingresso de Saviola era ridículo...
Patacas: «Jesus faltou-nos ao respeito».

«O "Público é, hoje, um jornal pior do que era quando entrou?
É diferente. [...] Temos um suplemento cultural muito mais forte.»
Declarações de José Manuel Fernandes ao Expresso, a poucos dias de deixar a cadeira de director do diário. Bárbara Reis, a quem o Senhor Palomar deseja as maiores felicidades, é a senhora que se segue. O Senhor Palomar espera também que um novo nome no cabeçalho do jornal seja sinal de mais cultura. E mais literatura, se possível. O Público está longe de ter um suplemento cultural mais forte do que tinha há dez anos, conforme aponta JMF. O que o Público tem é um suplemento maior para as indústrias culturais, nomeadamente para a música e para o cinema. Onde abundam as abordagens mais arrojadas, mas onde se perdeu muita da reflexão e ponderação que é necessária, exigível, a um jornal de referência. O Senhor Palomar espera que se entenda que o Ípsilon (na impossibilidade do regresso do Mil Folhas) não pode ser apenas pop, que não pode privilegiar apenas os fenómenos de massas, o trash.
É verdade que nem tudo é mau, e muitos números contrariam o que é dito acima (ao alto um excelente exemplo), contudo, quando um jornal augura a ser de referência, mas sobretudo nos habituou a tanto nos tempos do Mil Folhas, esperamos sempre que seja tudo bom.

No The Guardian, Robert McCrum discute sobre a publicação de The Original of Laura, obra póstuma de Nabokov que este pediu para nunca ser publicada. O filho fez ouvidos moucos e decidiu mesmo comercializar os direitos de publicação deste livro que, segundo a crítica, não está ao mesmo nível de outras obras do mesmo autor.

Parece que é hoje. Jorge Jesus prepara-se para ser notícia. Lacónico, explicou que frente ao Nacional teríamos um jogo de menos golos e mais equilíbrio. O que parece um excelente aperitivo para dizer que o Benfica não vai dar 8, nem 5, nem 6. O Senhor Palomar acha bem. Chega de tanto golo, senhor Jorge Jesus. O Senhor Palomar anda sem assunto para falar em redor do futebol, desde que o seu amigo (amigo do Senhor Palomar, entenda-se) decidiu trucidar quem se insurge na sua frente. Menos raiva, se faz favor. Está bem, teve graça ao início. 8 ao Setúbal, 6 já não sabemos a quem, 5 ao Everton. Tem graça, muita graça, se for uma coisa espaçada no tempo. Todos os dias, cansa. Dá cabo das cordas vocais. No dia seguinte, não se consegue cantar no banho. E depois são imperiais e minuins a mais. Mais, o bom benfiquista não está habituado a tanta alegria. Ainda se zanga com a mulher e acha que dormir com a Águia Vitória será um prato tão interessante quanto ir ao estádio e voltar a ver as Axe Dancers, que este ano foram barbaramente substituídas por um Quimbé que usa pontos de exclamações a mais (to say the least).
O Senhor Palomar já não se recorda da última vez que falou aqui de futebol. E fá-lo já por antecipação, porque teme que logo à noite não o possa fazer. Tem pouco interesse vir aqui enxovalhar os adversários. É que alguns são amigos. Não tem graça ver o grande Francisco José Viegas escrever isto. O que o Senhor Palomar quer ver é provocações. É vê-lo falar da progressiva cidade da Trofa numa jornada, para na outra volta sentir que pela boca morre o peixe. Ânimo, Francisco. Ainda não concretizámos aquele almoço, e a continuar assim, que sentido fará o Senhor Palomar convidá-lo a sentar-se, lado a lado, na Luz ou no Dragão (o amigo escolhe)?
Jorge Jesus tirou a 6 milhões de portugueses a hipótese de se queixarem. E toda a gente sabe o quanto o português, logo benfiquista, gosta de se lamentar. Aliás, não é à toa que o Estádio da Luz tem tanto betão à vista. Jorge Jesus arquitectou uma equipa que marcou, só para o campeonato, 24 golos em 7 jornadas. Dá mais de três por jogo, proeza que não é para todos, conforme o leitor informado sabe. Hoje, fala-se em contenção: o que será bom para pelo menos melhor compreender o léxico do treinador de todos os portugueses. Quanto será que vale a contenção de Jorge Jesus?
A 23 de Março de 1820, o Times assinalava a morte de Keats: At Rome, on the 23rd of Feb., of a decline, John Keats, the poet, aged 25. Não tendo sido decerto intencional, bonito, o "the poet". Talvez com o lançamento do biopic em torno da sua vida, Keats consiga um pouco mais do que 52 caracteres, 9 deles para o nome do poeta, 6 para a cidade onde tudo se deu, 13 para a data, 10 para a causa, 6 para a idade, apenas 7 para a ocupação.

A Penguin acaba de publicar um volume com algumas das suas stories (cuja leitura vai para o pote). Mas entretanto vale a pena ler o artigo do Times que apresenta o autor que se considerava “a failure among failures”. Não admira que tenha posto fim à vida aos 30.
Isabel Alçada e os colegas professores.
Vanessa Rato já tinha a entrevista com Gabriela Canavilhas marcada. Entretanto, chegou o anúncio que dava conta que a pianista fora indigitada como Ministra da Cultura. Mantiveram a conversa, claro, e o resultado está hoje no P2. E aqui. Como diz a jornalista, para ler nas entrelinhas.

Agora analisada pelo N.Y.Times.
Vale a pena ver o vídeo, alojado no website do Expresso, que reúne numa mesma sala Tolentino Mendonça e José Saramago. O tema já saberão qual é. Para variar, Saramago teve um interlocutor à altura. Tolentino escusava de ter interrompido tanto o Nobel; mas o essencial foi dito.
«Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.» Ler na íntegra no Público.
Roberto Bolaño (Quetzal) tira 23 000 exemplares. Caim (LeYa-Caminho) aproxima-se de esgotar os 50 000 da tiragem inicial. As pré-vendas de Asterix (LeYa-Asa) na Fnac superaram as expectativas. Na sexta-feira, a Porto Editora orgulhava-se de, em comunicado, afirmar que o livro livro que mais vende neste momento em Portugal é A Cabana (poderia ser o novo dicionário do Acordo, mas não: é A Cabana). No sábado, foi lançado o novo livro de Rodrigues dos Santos, Fúria Divina (Gradiva). Lá para o final do mês, chega Dan Brown (Bertrand) e o seu símbolo perdido.
O mercado, que é sempre uma entidade inominável, anima-se de cada vez que chegam notícias deste tipo. Mas não será menos verdade que este fogo-de-vista esconde uma realidade editorial que está longe de ser a descrita acima. A esmagadora maioria das editoras não tem best-sellers que lhes valham, nem sequer conseguem colocar os seus livros no ponto de venda com destaque e, muitas, arriscam-se a desaparecer. Esta é uma verdade de La Palice, mas não é por causa de o ser que deve deixar de nos preocupar.
O Diário de Notícias publica hoje uma entrevista ao Nobel português, conduzida por João Céu e Silva. Recorde-se que este jornalista tem publicado pela Porto Editora o volume "Uma longa viagem com José Saramago", no qual este reproduz (com pouca aparente edição) uma extensa conversa mantida com o escritor. A entrevista não adianta muito ao que já foi dito, sendo apenas interessante verificar de que forma se relacionava José Saramago com a religião em criança. Ao Senhor Palomar, por outro lado, continua a agradar a forma que João Céu e Silva tem de fazer perguntas em forma de afirmação e... com pontos de exclamação:
«Ia à missa quando era criança?
Levaram-me duas vezes e não gostei. Tinha sete anos e aquilo pareceu-me incompreensível. Nós morávamos na Rua Fernão Lopes, numas águas--furtadas de um prédio, em Lisboa, de cinco andares que já não existe, que era o lugar onde a arraia-miúda morava porque os mais abastados ficavam com os apartamentos mais baixos. Houve alguém de uma família muito católica que perguntou à minha mãe se ela não se importava que me levassem à missa. E à minha mãe, que tanto fazia, disse: "Pois sim, levem."»
Nos EUA, acaba de ser lançada uma novela gráfica do livro dos livros, da autoria de Robert Crumb. Desenvolvimento no La Vanguardía.
«É com prazer que a Porto Editora anuncia que o livro mais vendido em Portugal, neste momento, é A Cabana, obra cujo tema central é a bondade de Deus (www.acabana.pt).» Retirado de um press release da Porto Editora.
É cinismo do Senhor Palomar, ou o aproveitamento da polémica Saramago-Caim está a ir longe de mais?
Quem não lê é como quem nao vê
Vá lá, pega num livro e desliga a TV
Confessa lá, tu agora até te sentes mal
Por só leres as legendas e os títulos do jornal
Quem não lê é como quem nao vê
E diz-me afinal o que é melhor que ler
Talvez comer, talvez beber, talvez.... mas afinal
Leitura dá-te alimento intelectual
Quem não lê é como quem não vê
Vá lá, num instante à tua estante e pega no Dante
Mas se o Inferno te der vontade de fugir, ai ai
Pega na Bíblia, pode ser que escapes de lá ir
Quem não lê é como quem não vê
Junta a proza à gazoza, mistura ainda um sofá, deixa marinar
E uma tarde bem passada é o que dá
O Pessoa pode te tornar outra pessoa
Pois a poesia portuguesa tem tanta coisa boa
O Saramago é bom, mas não te dá a salvação
Quem tem medo do Lobo Antunes, devia ter temor a Deus (repete à exaustão)
É de leitura obrigatória o texto de Alexandra Lucas Coelho publicado hoje no Ípsilon, que pode ser lido aqui. António Lobo Antunes e a nova casa. António Lobo Antunes no Conde Redondo. António Lobo Antunes e os cigarros SG. António Lobo Antunes e os russos. António Lobo Antunes. António António António.
«Não sei o que o futuro pensará de mim. Sempre me imaginei uma criança a brincar na praia, que às vezes encontra um seixo mais polido, uma conchinha mais bonita, enquanto o grande oceano da verdade permanece intacto à minha frente”»Durante a apresentação do novo livro, ontem.
Ler no Público.

Aguarda-se. Pacientemente.
Piadinha fácil. É certo. O Senhor Palomar lamenta.

A grande (curta, na verdade) apresentação de Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? foi hoje, no S. Luíz (Lisboa).
Mais do que sorte, o Senhor Palomar deseja a Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas um pouco mais do que 0,5% do OE. Quanto a Isabel Alçada na Educação e dada a popularidade deste ministério, se o Senhor Palomar fosse Zeferino Coelho (editor da LeYa Caminho), por esta altura estaria preocupado.
Claro que ninguém esperava isto. Entretanto Edite Estrela classifica de atitude inquisitorial as declarações de Mário David, que apelou a que Saramago abdicasse da nacionalidade portuguesa. O Pedro Vieira é que tem razão no que aos dois protagonistas (o escritor e o eurodeputado) diz respeito: Dumb and Dumber.
De ora em diante, haverá dois tipos de leitores da obra máxima do colombiano García Marquez. Os que a leram e apontaram a complicada árvore genealógica da família Buendía num papel (o Senhor Palomar usou a contracapa do livro) e os que caem no facilitismo oferecido pelas Publicações Dom Quixote. Com este extra, deixa de fazer sentido voltar atrás capítulos inteiros, e reler tudo, só para perceber de que Buendía se falava. O Senhor Palomar entende que a ideia é boa, e que de facto facilitará a apreensão do que ali se diz. Mas como leitor aborrecido que é, ele continua a achar que o desafio permanente de se perceber de quem se falava tinha a sua graça. Agora já não será possível.
A todos aqueles que ainda não leram a obra, o Senhor Palomar recomenda, claro, que o façam. Mas não olhem para a árvore genealógica oferecida. Façam a vossa. Vão ver que nascem árvores inteiras com frutos e flores dentro de vós.
A ter debaixo de olho a adaptação a cinema do excelente "Desgraça", de J.M. Coetzee. Estreia hoje. Realizado por Steve Jacobs, tem Jonh Malkovich como principal protagonista.
A obra está publicada em Portugal pela LeYa Publicações Dom Quixote.

«O que vos podemos contar é que o inspector para conseguir encaixar as peças todas do puzzle que lhe é colocado à frente tem que se confrontar com o seu próprio passado. E por isso Francisco José Viegas regressa a África, território recorrente no seu universo e onde Jaime Ramos não foi feliz. É o regresso à guerra colonial (principalmente na Guiné); à África dos membros do Partido Comunista que acreditaram que ali podiam fazer a revolução; à África do sangrento 27 de Maio de 1977.» Ler na íntegra aqui.
«Simpatizo com o espírito blasfemo das declarações de José Saramago na apresentação do romance Caim, mas também me parece que se trata de um truque de marketing relativamente gasto e cansado (por muito que a Igreja continue a morder o isco), e que criticar o catolicismo é uma actividade que não carece, hoje, de especial coragem. [...] A esmagadora maioria dos católicos não segue a Bíblia e está-se a borrifar para as encíclicas e ordens papais. Usam preservativo e pecam abundantemente.» Vale mesmo a pena ler na íntegra.
Um texto de José Navarro de Andrade, para ler no É tudo gente morta.
![[saramago+caim.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_fw9m61IFmhk/Stz-rgdXDgI/AAAAAAAACMc/AVS_Y51mQGM/s1600/saramago%2Bcaim.jpg)
«Por que carga de água iria a Academia Sueca laurear um americano como Philip Roth, que não precisa de prémios para nada (embora os tenha recebido todos), podendo dar o prémio a uma espécie de Llansol? Para fazer a vontade aos bloggers portugueses?». Não deixem de ler este texto de Eduardo Pitta.
Saramago diz que os católicos não lêem a Bíblia. E os comunistas, será que lêem Marx?
Desenvolvimento no The Guardian.
O The Guardian publica um artigo, no qual analisa os esqueletos de John Cheever. Recorde-se que recentemente a Sextante publicou o excelente volume "Contos completos I".
Estamos todos a deixar-nos levar pelo jogo de Saramago. Entramos em campo de sorriso no rosto e, no íntimo, achamos mesmo que vamos sair vitoriosos. Mas, na verdade, todos perdemos. Incluindo Saramago. O capítulo mais recente é assinado por Mário David, um eurodeputado do PSD que exorta Saramago a renunciar à cidadania portuguesa.
É lançada hoje a primeira tradução interconfessional da Bíblia. Esta edição tem a particularidade de nos fazer ler a Bíblia como se de um romance se tratasse.
Saramago tem todo o direito de publicar Caim e ainda bem que escreveu o excelente Evangelho. Mas quando, nas suas declarações, está permanentemente a atacar crentes, religiões, a Igreja e o que mais aparece à frente, deve contar com a possibilidade de haver reacções.
É verdade que Saramago chegou a um ponto, a uma idade se preferirem, que pode dizer o que lhe apetece, sem se preocupar se vai agradar ou chocar. Mas por isso mesmo, depois, por favor, não se vitimize. Isso seria muito estúpido.
PS: E eis que o Senhor Palomar contribui para que mais uns quantos volumes passem na caixa registadora.
A cada mês há mais dez milhões de chineses com telemóvel.

O Senhor Palomar não se espanta que Caim seja um golpe de marketing do Nobel Português. Sim, a Bíblia é um manual de maus costumes, o Corão não pode ter sido ditado a Maomé, «Deus é cruel, invejoso, insuportável», diz Saramago. Pouco importa. Saramago tem direito a dizer o que achar por bem. Não por ser Nobel, mas porque Saramago merece ser tratado com o respeito com que falta aos milhares de pessoas que, tão só, acreditam.
O Senhor Palomar gosta de pessoas que acreditam. E como tal respeita quem abraça uma religião. Mesmo que não professe nenhuma. Saramago achará decerto que uma vida de crença é uma vida sem nexo. Ignora possivelmente que, para os crentes, a vida ganha aí sentido. Ignora, mas sabe-o. Portanto, se decide carregar na mesma tecla, é porque tem o feitio que se lhe conhece. Sim, venderá mais livros, mas não será por isso que fala no tom que o faz. Saramago venderia sempre o número de livros suficiente para suportar o estilo de vida que tem. Não precisava de mais esta bordoada. A LeYa Caminho, por outro lado, deve agradecer o gesto. O mais certo é que a tiragem inicial de 50 000 exemplares esgote rapidamente. Azar para o novo livro de Lobo Antunes, que saiu também por estes dias, e do qual ninguém fala
Com Caim, Saramago poderá ser, para algumas pessoas, ofensivo. O Senhor Palomar esclarece que o que ali se lê não o melindra, contudo, entende que tal possa suceder a muitos espíritos, conservadores ou não. Olho vivo para Israel, que é, diga-se, verdadeiramente trucidado por Saramago neste último livro.
Saramago, pelos olhos de Caim, mostra-nos de novo que estamos cegos. Retrata a expulsão de Adão e Eva do Éden, a desagregação da torre de Babel, a destruição de Sodoma, a construção da Arca de Noé, entre outros episódios do Antigo Testamento. A partir destas imagens, qual profeta, Saramago usa a mesma demagogia que tanto critica nas religiões para dizer que Deus não existe e que todos aqueles que seguem uma religião caem no absurdo de o fazer. É o estar com ele ou contra ele.
O livro, por outro lado, e o que mais deveria importar, é interessante. Começa bem, muito bem, prossegue mal como se mais uma viagem de um elefante fosse, e termina lindamente. Quanto às páginas eróticas de que falava a imprensa de hoje, o Senhor Palomar não deu por nada. Mas isto talvez se deva ao facto de andar a passar demasiado tempo, sozinho em frente à televisão, a ver canais pouco literários. E bem mais obscenos que as obras de Saramago.
Aqui.
É seguir por aqui.
Queiroz: “Equipa que faz 25 golos em 10 jogos não pode ser uma equipa qualquer".

Chama-se What the dog saw, foi recenseado pelo The Guardian e tem uma das capas mais catitas que o Senhor Palomar tem visto nos últimos tempos. Gladwell é publicado em Portugal pelas Publicações Dom Quixote, inclusive o excelente Blink.
Ler o perfil do autor do autor que, por teimosia, cegueira e estupidez da Academia sueca, nunca ganhou o Nobel.
O Senhor Palomar deseja deixar claro que, contrariamente a algumas leituras de alguns leitores, o post abaixo constitui-se como um elogio à dupla Maria do Rosário Pedreira e Ana Pereirinha. Não existia naquele testemunho qualquer ironia, crítica ou mensagem encapotada. A intenção era, tão só, elogiar o trabalho destas duas excelentes leitoras, que, por acaso, são editoras.
João Tordo sucede a valter hugo mãe, José Luis Peixoto e Adriana Lisboa, todos eles trabalhos e editados pela dupla actualmente na Quidnovi. Ler desenvolvimento no Jornal de Notícias.
José Mário Silva publica 4 textos da autora, a partir da edição de O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra, tradução de Maria Antonieta C. Mendonça. Edição Cotovia, de 1993.

«Na principal sequência, que dá título ao livro, Updike empreende uma espantosa reflexão sobre o tempo e o envelhecimento, balizada pelos aniversários da «década em que a maior parte das pessoas morre» (isto é, para lá dos 70 anos) e pelas visitas ao hospital, poucas semanas antes da morte, com um cancro que minou os seus pulmões, «fantasmas patéticos e oblongos». À beira do fim, o escritor olha para trás sem azedume ou excessiva tristeza, recuperando memórias de infância, paisagens, a história do seu percurso literário e uma ironia que redime as agruras da decadência física. Ele é o velho senhor que sugou a vida até ao tutano, capaz por isso de enfrentar as traições da velhice – já não perceber como se abre a tampa da gasolina; o corpo devassado pelos médicos – com mais resignação do que melancolia.» Ler na íntegra aqui.
A Amazon tem mais de 3 mil e-books de culinária.
Martín Palermo, herói nacional argentino, falhou 3 pénaltis num jogo.
A confiar no relato que a sempre extremosa Isabel Coutinho, no que às novas tecnologias diz respeito, faz, a Google prepara-se para revolucionar por completo o mercado dos e-books. A ideia é simples: os livros estão alojados nos servidores da Google e os consumidores vão poder aceder às obras a partir de qualquer aparelho com acesso à Internet. Mas a Isabel Coutinho, muito terra-a-terra, explica tudo.
Três novos livros ajudam a explicar o pensamento de um dos economistas mais influentes do século XX: John Maynard Keynes.
Ler aqui a descrição de Francisco José Viegas da Feira do Livro de Frankfurt, que decorre até ao próximo domingo naquela cidade alemã.
“A Sala Magenta” de Mário Carvalho vence Prémio Fernando Namora.
«Quem diz que textos em papel estão morrendo, portanto, está desdenhando fatos. Se há uma queda geral no nível cultural, se hoje vemos até pessoas das artes e das idéias com formação geral deficiente, não é por causa de alguma incompatibilidade fundamental entre o homem contemporâneo e a superfície impressa.» Um texto de Daniel Piza, via Autores e livros, de Eduardo Coelho.
Recorde-se que a biografia de Gerald Martin sobre García Marquez está publicada em Portugal pelas Publicações Dom Quixote. Esta obra tem sido considerada como fundamental para compreender o autor colombiano. É bom que assim seja, já que levou quase 20 anos a ser escrita. Recensão do N.Y.Times, já referida no Senhor Palomar, aqui.
A colectânea reúne uma série de autores inéditos no nosso país. Alguns deles, já publicados e estabelecidos antes da revolução e que continuaram a escrever depois dela; outros, começaram a escrever, publicar e a ser lidos depois da revolução.

A conhecer o novo livro de Dawkins. Aqui e aqui.
Afinal não foi necessário Roth ganhar o Nobel. A Dom Quixote irá reeditar Portnoy's Complaint, de Philip Roth. Data de saída: Junho de 2010.

«Porém, mais do que a crítica social (oriundo da alta classe média paquistanesa, Kureishi nasceu e cresceu na periferia proletária do sul de Londres, onde os pais se radicaram depois de fugir da Índia), o sexo é o Leitomotiv da obra. E um livro como este ilustra bem a máxima do autor: «os círculos adjacentes do prazer são múltiplos». Mérito maior, Algo para te dizer prova que Kureishi deixou de ter vergonha de ser paki.» Ler na íntegra aqui.
McEwan revela-se, falando de si da sua obra, nomeadamente do último livro. Aqui.

A Quetzal anunciou a publicação de Bicycle Diaries, de David Byrne, para 2010. O The Telegraph apresenta a obra.

Vale a pena prestar atenção ao dossiê que o The Guardian publicou na sua versão online, na qual é analisado este segmento muito específico.
«O livro foi apresentado por António-Pedro Vasconcelos. Seria o cineasta ideal para adaptar o livro? Gosto muito dos filmes do António-Pedro, que é um realizador sensível ao personagem Jaime Ramos e à perdição que anda nesta história... Quem sabe?» Ler entrevista na íntegra aqui.
O vencedor do Booker 2009 foi analisado pelo The Economist. Ler aqui.
O moçambicano João Paulo Borges Coelho venceu o prémio LeYa pela obra O Olho de Hertzog.
Por Miguel Monteiro. Aqui.

«Trotsky, like Mao and to some extent Lenin, has long been one of those Communist titans who, for some, achieved the status of fashionable radical saints, even in the democracies that they would have destroyed in an orgy of bloodletting. Trotsky’s glamour derives from his role as Stalin’s greatest enemy, but he was also wonderfully equipped for his role as revolutionary statesman – and to be a hero to misguided Westerners and schoolboys.» Review do The Telegraph.
É favor olhar para o lado direito, ao centro.

«Como de regra em Portugal, não há contraditório. Lobo Antunes lava o fígado a solo. Sobre Saramago, o grande rival, começará por dizer que se conheceram em 1983, «estávamos os dois no início». Sucede que Saramago publicou, até 1982, catorze livros: romances, contos, poemas, crónicas, etc. Lobo Antunes tem uma peculiar concepção de começo. O biógrafo não contraditou.» Ler na íntegra aqui.
Quem sucede a Murilo de Carvalho?
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Ler na Ñ.
Ver desenvolvimento do programa no DN.

Edição da Assírio e Alvim.
«Together, authors, publishers and Google are taking just one step toward this goal, but it’s an important step. Let’s not miss this opportunity."» Ler aqui.

Ler no The Economist.
«Nas mãos, na boca, nas palavras, a guerra, pano de fundo de um passado que não se gasta sequer tentando esquecer. Uma guerra também nossa, portugueses leitores, mas nem sempre conhecida senão pelo modo como nós a vivemos e vimos, portanto tão-só e apenas de uma perspectiva unívoca.» Ler aqui.

«Debaixo do Vulcão evoca o cenário rico, repleto de cambiantes, do México das cantinas, do mescal, do Dia dos Mortos e do espírito da festa, sempre dominado, em pano de fundo, pela presença esmagadora dos dois vulcões – o Popocatepetl e o Ixtaccihuatl –, que oprimem a paisagem ao mesmo tempo que a enriquecem. Tal como Lowry o descreve, «é o lugar ideal para situar o combate de um ser humano entre os poderes das trevas e da luz». Assim, a paisagem introduz também a imagem simbólica do barranco, ou precipício, como alegoria do abismo, que é por sua vez a alegoria por excelência do homem em queda, acelerando vertiginosamente numa espiral de auto-destruição. O próprio autor o explicita no prefácio escrito para a primeira edição francesa do romance.» Ler na íntegra aqui.
«Embora esteja dividido em cinco partes, que funcionam como cinco livros autónomos, pode dizer-se que o centro gravítico de 2666 é a imaginária cidade de Santa Teresa, no deserto de Sonora (norte do México, perto da fronteira com o Arizona), onde vão aparecendo, entre 1993 e 1997, centenas de cadáveres de mulheres pobres – prostitutas, empregadas de mesa, operárias fabris –, assassinadas quase sempre após tortura e violação sexual, sem que as autoridades policiais, incompetentes e misóginas, consigam deslindar os crimes.» Ler na íntegra aqui.
«Sem deixar de ser um romance, O Túnel é um ensaio sobre o ciúme. Num autor como Sabato, as ideias não perturbam a polifonia da intriga. Juan Pablo desconfia de María: «Compreenderás agora porque te interroguei muitas vezes sobre a verdade das tuas sensações. Recordo-me sempre do pai de Desdémona advertindo Otelo de que uma mulher que enganara o pai podia enganar outro homem.» Tudo começou no Salão da Primavera de 1946 (no hemisfério sul, a Primavera é em Setembo), quando Juan Pablo expõe o quadro que desencadeará a suas obsessões. O interesse de María por determinado detalhe da obra, detalhe a que ninguém prestou atenção excepto aquela rapariga que ele não sabe quem é, leva-o a um atropelo de congeminações. Vão passar meses até que a encontre. A solidão é uma cicatriz insuportável, mas Juan Pablo depressa descobre que a presença de María não serve de lenitivo. A dúvida persegue-o: foi, ou não foi traído por ela?» Ler na íntegra aqui.
Aqui.
Se Bolaño tivesse escrito 2666 no sistema de 140 caracteres do twitter, estava bem lixado, estava.
Na Fnac Chiado, pelas 18h30. Apresentação a cargo de António Guterres, Maria José Nogueira Pinto e Gonçalo M. Tavares. Site da obra aqui.
“O Aniversário de Astérix & Obélix - O livro de Ouro” échegará a Portugal, pela LeYa Asa, a editora habitual das aventuras do gaulês, a 22 de Outubro. Um simultâneo em 18 países O álbum terá 56 páginas, contendo pranchas inéditas de Uderzo e textos inéditos de Goscinny.
Triângulo-dilema moral: Bolaño detesta Garcia Marquez. Garcia Marquez é um dos autores preferidos do Senhor Palomar. O Senhor Palomar foi contagiado pelo vírus bolañiano. Sugestões e remédios na caixa de comentários por favor.
Blogosfera
Fontes de informação
agradecimentos e referências ao sr. palo(76)
alêtheia(2)
antígona(5)
autores(508)
bertrand(7)
bibliotecas(5)
contraponto(1)
da literatura e de outras artes(58)
divulgação(49)
e agora para algo completamente diferent(9)
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