
E sim, claro que o 2666 merecia uma festa.
«Ana Gomes considera "patética" a comunicação de Cavaco Silva».

Desenvolvimento no Times Online.
Ler no DN.
Lista para verificar no The Telegraph. [Via Bibliofilmes]
«O epifenómeno conhecido por Apito Dourado (um julgamento popular e feito à medida) inaugurou um campeonato paralelo e original apenas aberto a árbitros: saber quem assinala mais faltas duvidosas contra o FC Porto e quem mostra mais cartões a jogadores da equipa. Quanto mais prejudicarem o FC Porto, mais pontos acumulam. No final, têm direito a aplauso e, quem sabe, a promoção na carreira. Para esta gente, os campeonatos de futebol deviam ganhar-se por televoto.» Ler na íntegra aqui.
Já nas livrarias.
1.º capítulo aqui.
Os cordéis
Passava os dias a dar nós em cordéis
para desfazer os nós a seguir
não tinha ninguém para a aplaudir
nem esperava Ulisses
mas continuava
aquilo não era um passatempo
os cordéis sem nós
serviam para desfazer os nós
enquanto os embrulhos trouxeram cordéis
as sobrinhas não estranharam
mas quando os cordéis se tornaram raros
lembraram-se de que ela na juventude
fora capaz de seguir cinco conversas diferentes
ao mesmo tempo
como Napoleão era capaz de ditar
dez cartas diferentes
ao mesmo tempo
só que a guerra e os bailes no consulado
tinham acabado
antes que ela se tornasse
uma grande espia
as sobrinhas convidavam forasteiros
e faziam cinco conversas diferentes
ao mesmo tempo
para a distraírem dos cordéis
mas os cordéis absorviam-na
nenhuma conversa lhe importava
as sobrinhas deitaram os cordéis fora
irritadas com aquela obstinação
ela passou a arrancar cabelos
e desfazer os nós dos cabelos
exige mais perícia do que desfazer
os nós dos cordéis
se fosse uma questão de vida ou de morte
seria como despoletar granadas
assim ela só podia perguntar
o que é mais fino do que um cabelo
para eu lhe poder dar nós?
Ler no The Guardian.
«Cavaco acusa PS de o querer “encostar” ao PSD e à campanha eleitoral.» «PS afronta Cavaco e diz que suspeições "são absurdas"».«Vitalino diz que Cavaco clarificou que não há percepção de vigilância do Governo». «PSD e CDS querem que Cavaco esclareça “vulnerabilidade”, BE lamenta declaração “ambígua».
Escrutinada na Ñ.
«Lobo Antunes incluído “por lapso” na comissão de honra de António Costa».
Acompanhar aqui. Por Paulo Alves. [Via Bibliotecário de Babel].
Quase saía um ponto de exclamação ao Senhor Palomar. A revista Os Meus Livros já tem blogue: aqui.
Benjamim Disraeli (1804-1881) dizia que quando queria ler um bom livro, escrevia um. A frase, trocista e digna de um bom judeu ciente e convicto das suas próprias capacidades, que cumpre o objectivo inicial e provocatório de esboçar um sorriso em quem a ouve, esconde, contudo, ainda que lateralmente (muito lateralmente, bem certo) o preconceito adquirido de que tudo aquilo que é escrito deve ter aquilo que, comummente, designamos de qualidade. Nada de mais errado, e exigir do prazer dos autores objectivo tão altivo é estúpido, dando à morte algo que se apresenta como um fim em si, sem necessidade de legitimação. Mesmo, inclusive, que esse prazer venha da catarse. Basta ler Jorge de Sena, agora justamente recuperado pela Guimarães, para se saber daquilo que o Senhor Palomar fala.
Escrever não tem obrigatoriamente de ter qualidade (e só por isso é que o Senhor Palomar está a escrever neste espaço). O Senhor Palomar choca-se sempre que sabe que um editor, mais bruto, diga que o candidato a autor não deve escrever mais. O que ele deve dizer, isso sim, é que não lhe publica o texto. Na sua editora. Como ainda não estamos na altura em que o autor não precisa de um editor (mesmo que se escuse a todo o processo de produção, a questão da distribuição é ainda fundamental), podemos assumir que, se se publicam maus livros, é porque há poucos editores (publishers é outra história). Os bons editores, os brutos, têm a coragem de dizer que um texto não é publicável.
Os editores tendem a imputar aos autores a responsabilidade de escreverem maus livros, quando, na verdade, o problema é tão só que se publiquem estes mesmos livros. Não que se os escrevam. Sempre que um editor se queixa do que se publica, está a autoflagelar-se e a autoproclamar-se incompetente da função de toda uma classe.
Nélson de Matos perguntou, a certa altura e a partir de certo livro, se António Lobo Antunes pretendia perder os seus leitores. Que não se percebia o original. Não vale a pena discutir se o editor tinha razão quando decidiu afrontar o gigante louro, assumindo a sua função de editor. O editor não tem sempre de estar certo (a história está cheia de exemplos de editores que recusaram obras geniais), mas deve sempre cumprir a sua função. Seleccionar. Editar. Acrescentar valor. Tornar claro o que é obscuro. Ajudar o autor a perceber o que quer dizer e a quem se destinam as suas palavras.
E nenhum dos protagonistas se deve autopunir por errar. O autor não deve ser condescendente com o editor, ao afirmar que ele não percebeu o que estava escrito, mas toadas como «isto não é português» (ou inglês, ou francês) devem ser eliminadas do léxico dos editores.
Se se publicasse apenas merda (palavras de um editor), isso dever-se-ia a editores que não lêem os livros que publicam, nem são alvo do escrutínio de um elemento da equipa editorial (é óbvio que um só editor não pode ler todos os livros, se publicar 300 títulos por ano). Toda a gente sabe que nenhum editor publica um livro apenas por ter sido escrito por uma figura pública; toda a gente sabe que nenhum editor é ludibriado por um agente e coloca a traduzir sem ler uma palavra; toda a gente sabe que nenhum editor faz encomendas de livros com temáticas escaldantes só por que vai vender, mesmo que esteja escrito em gibberish (os que têm temáticas escaldantes mas são bem escritos, venham eles: basta ler O Mago, de Fernando Morais, publicado pela Planeta, para se perceber isto). Nenhum destes cenários acontece, pois os editores empenham-se tanto na selecção e no critério editorial quanto os autores na escrita do livro. E só por isso é que poderíamos nomear em quantidade, pela qualidade, igual número de editores para os escritores que se publicam em Portugal. Uma pequena lista (fiquemo-nos pelos portugueses): Lobo Antunes, Saramago, Agustina Bessa-Luís, Eduardo Lourenço, Lídia Jorge, Mário de Carvalho, Mário Claúdio, Francisco José Viegas, valter hugo mãe, José Riço Direitinho, João Lobo Antunes, Nuno Crato, José Luis Peixoto, João Tordo, Rodrigo Guedes de Carvalho, Gonçalo M. Tavares, Vasco Graça Moura (a poesia), Pedro Mexia, Rogério Casanova, Jorge Reis-Sá, Possidónio Cachapa, Dulce Maria Cardoso, Ricardo de Araújo Pereira, Miguel Esteves Cardoso, Rui Tavares.
(*) Texto originalmente publicado no Blogtailors.

«Embora tenha publicado, em 1984, um pequeno romance (escrito a meias com Antoní Garcia Porta), a verdadeira estreia editorial de Bolaño dá-se apenas em 1993, aos 40 anos, com A Pista de Gelo. Na última década de vida, talvez assombrado pelo declinante estado de saúde, compensa o tempo perdido ao publicar a um ritmo febril. Até 2003, quando o fígado soçobrou antes de o seu nome chegar ao topo da lista de transplantes, surgiram 11 títulos, entre os quais Estrela Distante (de 1996, recentemente reeditado pela Teorema), Os Detectives Selvagens (1998, Teorema), Amuleto (1999), Nocturno Chileno (2000, Gótica) e Putas Asesinas (2001). Esta produção acelerada deveu-se em parte à vontade de deixar uma fonte de sustento para a família (mulher e dois filhos). Também por isso, ao organizar os materiais de 2666, sugeriu ao editor, Jorge Herralde, a publicação de cada uma das suas cinco partes como um livro autónomo. Contudo, quando Ignacio Echevarría, amigo e conselheiro literário, analisou e reviu os textos de Bolaño, após a sua morte, defendeu que «o valor literário da obra» só ficaria defendido com a publicação num único volume. Os herdeiros, mais sensatos e preocupados com a literatura do que os herdeiros de escritores costumam ser, concordaram. E o certo é que os direitos de autor, que entretanto começaram a chegar de todo o mundo, os livraram de vez da perspectiva de apertos económicos que tanto angustiava Bolaño.» Ler na íntegra aqui. Ao alto, uma fotografia de Daniel Mordzinski.

Em livro. Ao alto, o ícone com Arthur Miller.
Ler aqui.
«Querida. Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar. E então pensei: vou-te escrever. Mas não te quero amar no tempo em que te lembro. Quero-te amar antes, muito antes. É quando o que é grande acontece. E não me digas diz lá porquê.» Já vê, cara Ana, que é possível ficar aos saltos com Bolaño e ainda assim ter lido o Em nome da terra. Mais curioso ainda, os dois autores pertencem ao catálogo da Quetzal.
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Para seguir aqui. Um blogue de Reginaldo Pujol.
[Via Autores e livros.]
A Alêtheia publica a obra acima, na qual se referenciam algumas das obras fundamentais da Literatura Mundial. E, para que nada falte aos leitores, indica no seu blog onde podemos encontrar as várias edições portuguesas das obras ali referidas. Está tudo aqui. O Senhor Palomar agradece.

Aquele que é um dos candidatos ao Nobel deste ano esteve no Festival Literário de Segóvia. Reportagem do El País.
O vencedor é Cem anos de Solidão. Ver aqui os outros 24, no qual consta o arqui-inimigo Bolaño, com Detectives Selvagens.
O conceito de televisão em movimento do Big Show Sic não é nada, face à cobertura da SIC das eleições. Já o estúdio da TVI, onde Santos Silva, Ana Drago, Sousa Tavares, entre outros, falam, está cheio de moscas. Para o caso de haver alguma espécie de leitura política deste último comentário, o Senhor Palomar esclarece que a observação é apenas descritiva. Basta ver alguns segundos daTVI para se perceber.
O Senhor Palomar esclarece que nada tem contra Rogério Casanova, pelo que, por maioria de razão, não é autor desta plataforma. Como ficou claro pelo texto aqui escrito, o Senhor Palomar admira, e muito, Rogério Casanova. Apenas não embarca em faltas de educação.
Espera, assim, o Senhor Palomar ter esclarecido os leitores que o questionaram, quanto à possibilidade de ser autor do blogue em causa. Não é autor, co-autor, ou sequer foi alguma vez ouvido para a construção do blogue acima.
«Talvez daqui a uns tempos, quando a bolañomania não for mais do que uma muito vaga recordação, e mais uns dois ou três autores de obras-primas "imperdíveis" tiverem entrado e saído de moda, eu vá dar uma espreitadela a 2666.» Ler na íntegra, ou não, aqui.
O Senhor Palomar espera ansiosamente o dia que Eurico Barros refere só para poder comentar o pedido de desculpas do cronista do DN. Ainda sobre o tema de "ser do contra", é favor ler o comentário de José Mário Silva, que também referencia um texto pouco simpático de João Gonçalves - texto que já mereceu uma réplica de Francisco José Viegas. O blogger, em adenda, desculpa-se a Francisco José Viegas, dizendo que não era ele o destinatário das suas palavras. Pelos vistos, João Gonçalves só se referia à estupidigentsia. Numa coisa o Senhor Palomar e João Gonçalves estão de acordo: o autor de Portugal dos Pequeninos deve tentar entender a literatura em silêncio.

Reportagem fotográfica no Bibliotecário de Babel, da qual se rouba um exemplo. E sim: há uma foto de Soraia Chaves (que está loira). Ao alto, o editor responsável pela loucura.

A continuar desta maneira, com 21 golos marcados em apenas 6 jornadas, o SL Benfica terminará o campeonato com 105 tentos marcados (o Senhor Palomar sempre usar a palavra "tentos"). Poderá também assumir-se que sofrerá ao longo de todas as 30 jornadas, quinze golos, que é um pouco mais do que o SL Benfica marcou em apenas dois jogos do campeonato: contra o Vitória de Setúbal e o Leixões, hoje, num total de 13. Por outro lado, a diferença entre marcados e sofridos ficará pelos 86. Que é mais ou menos o número de cartões amarelos a que o Leixões se arrisca a sofrer, se continuar a jogar da forma que fez hoje.
Ao alto, Ramires (o melhor jogador em campo) com a Vitória na mão.
Sobre o SL Benfica-Leixões:«A coligação do costume garantiu a maioria absoluta ao Benfica».
Uma escolha do The Times.
![[bolano+dj+completo.jpg]](http://2.bp.blogspot.com/_fw9m61IFmhk/SrvNrT4LRDI/AAAAAAAACIs/remTg7iw7Pk/s1600/bolano%2Bdj%2Bcompleto.jpg)
Ilustração de DJ Pedro Vieira. Até já.
Anúncio feito pelo autor no próprio blog. O novo título de Possidónio Cachapa chama-se O Mundo Branco do Rapaz-Coelho (título bem catita). O Senhor Palomar sabe de alguém que vai querer esmiuçar esta obra.
Só para que saibam. E para que não se esqueçam.

Para aceder ao site oficial, é favor clicar aqui. [Via Autores e Livros.]
Na mesma altura em que a Dom Quixote lança para o mercado edições comemorativas dos 30 anos sobre a publicação das obras Os cus de Judas e Memória de Elefante, de António Lobo Antunes, a Porto Editora aproveita a boleia e lança mais uma longa viagem, de João Céu e Silva. Desta feita, o protagonista é o autor de "Manual dos Inquisidores" (livro notável). Recorde-se que o jornalista do Dn já fizera semelhante exercício com Cunhal, Torga e Saramago.
O novo livro de António Lobo Antunes, Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?, será colocado à venda no próximo dia 1 de Outubro. A sessão de lançamento, é marcar na agenda, terá lugar no dia 22 de Outubro, quinta-feira, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz. Apresentação a cargo de Cristina Robalo Cordeiro, Vice-Reitora da Universidade de Coimbra.
O Senhor Palomar sabe que não é pouco. Mas o Senhor Palomar insiste: este é o melhor livro da saga Jaime Ramos. Eduardo Coelho está ansioso por ler o novo livro de Francisco José Viegas.
Para emoji, um tipo de linguagem usado no Japão, construído através da utilização de emoticons.
O melhor Jaime Ramos de toda a saga. Mesmo lido em formato .pdf, nada nos afasta da beleza das palavras de Francisco José Viegas. Quem espera um policialzinho em que o assassino é o mordomo, engane-se. É favor procurar tirinhos noutro lado. Aqui fala-se do lado mais dolente, e negro, do Homem. Este livro podia chamar-se Everyman, que Roth não se importaria. No final, ficamos com poucas esperanças. Mas, ainda assim, com uma alegria imensa por termos a certeza que ainda vamos ouvir falar do detective do Grande Porto, ainda que por interposta pessoa.
Em breve, uma entrevista exclusiva do Senhor Palomar a Francisco José Viegas.
Elaborado com base no documentário gémeo da BBC, a Bertrand lança a obra de Peter Molloy. Molloy foi ouvir 20 pessoas que viveram do outro lado da Cortina de Ferro. Já faz parte das leituras futuras do Senhor Palomar.
Ler aqui. Recorde-se que a obra foi lançada em Portugal pela recém-lançada Objectiva, que tem ao leme Alexandre Vasconcelos (Ex-Dom Quixote, ex-Caderno).
Amos Oz é apontado como o principal candidato ao Nobel. Convém não esquecer, contudo, que, se houvesse um prémio Nobel para a criatividade, a próprio Comissão Nobel seria um justo vencedor. Por aqui faz-se lobby para Philip Roth. O francês Jean Daniel veio dizer que a cultura francesa não está a acompanhar a competição, o que faz o Senhor Palomar ficar em dúvidas, já que um alto responsável da comissão supra referida referiu-se à literatura norte-americana como insular. Recorde-se que o ano passado o vencedor foi o europeu Le Clézio, publicado em Portugal pelas Publicações Dom Quixote. Ainda falando em Prémios, Vargas Llosa não ganhou (ainda) o Nobel, apesar de também estar na shortlist das apostas, mas venceu o Premio Caballero Donald. Já Maria Kodama vem dizer que Borges não ganhou o Nobel por questões políticas. Não é um prémio, mas serve de consolação para a Bertrand, que irá publicar o próximo livro de Dan Brown: em Portugal, mesmo em inglês, chega aos tops nacionais. Por fim, uma palavra última para o fenómeno Stieg Larsson, a quem foi atribuído um prémio contra a violência do género.
É já amanhã. Se não quer ficar fora das conversas literárias da próxima semana, é melhor não faltar.
Entre as notícias d'A Bola que consagram o Benfica como o maior clube do mundo, chega a nota de que José Manuel Fernandes deixará o Público após as eleições autárquicas.
Quem sucederá a J.M. Le Clézio? Convém estar atento aos prognósticos de Eduardo Pitta. No ano passado, que o Senhor Palomar tenha notado, Eduardo Pitta foi o único a ter um palpite certeiro.
Ler no Público.
Mas D. Afonso Henriques, Gualdim Pais, D. Dinis I, Rainha Santa Isabel, D. Nuno Álvares Pereira, Damião de Góis, Luís Vaz de Camões, Padre António Vieira, 1.º Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo, Eça de Queirós, entre outros, sim.
Resposta no website da Angelus Novus.

Em Ciudad Juárez, pintam-se pintam cruzes numa parede rosa. Faltam 3 dias.
Ler o texto de Umberto Eco sobre o tema.
Lista do Bibliofilmes, com direito a trailer, para verificar aqui.
«O estilo é coloquial, de acordo com as regras do género. No essencial, «descrevem o itinerário estival típico de Lampedusa nos anos vinte: uma longa viagem europeia, iniciada por uma prolongada estadia inglesa e seguida de uma breve volta à França e de uma escapada à Áustria, antes do encontro com a mãe para uma estada no Tirol.» Escritas entre Julho de 1925 e Setembro de 1930 (salvo uma de Outubro de 1938, dirigida à tia Teresa), são as cartas de um homem solteiro que se entusiasma com as corridas de galgos que faziam furor em Londres. Não se pode dizer que sejam especialmente emocionantes. Não seria honesto fazer comparações com, por exemplo, Sade ou Sylvia Plath. Mas podemos fazê-las com Cesare Pavese, até pela coincidência do período temporal. E Lampedusa sai a perder. Mesmo doublé de Falstaff siciliano.» Ler na íntegra aqui.
Há um conjunto de portugueses que, depois de saber isto, preferirão não voltar a dar voz a José Sócrates: Sócrates requere abertura de processo contra jornalista João Miguel Tavares.
E há traje a condizer. Faltam só 4 dias.
«Centro Darwin inaugurado em Londres.»
Miguel Sousa Tavares continua a ser uma das vozes que mais combate o acordo ortográfico: «O Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz, como se os Estados Unidos impusessem um acordo ortográfico à Inglaterra [...] Ninguém foi ouvido, o acordo foi imposto tanto no Brasil como em Portugal».
«Nuclear, ecological, chemical, economic — our arsenal of Death by Stupidity is impressive for a species as smart as Homo sapiens. Yet fire or flood may belong to an Armageddon whose awful grandeur may not be our fate». Ler na íntegra aqui.
Prefácio,
por Carlos Vaz Marques.
«Eu nunca fui a Cabul. Nem a Jalalabad, nem a Kandahar, nem a Mazar-i-Sharif.
Conheço estes nomes das notícias e que me lembre nunca os terei ouvido por boas razões.
Provavelmente, não há hoje boas razões para se falar de Jalalabad, de Kandahar ou de Mazar-i-Sharif, belos nomes de uma sonoridade que toda ela é já distância.
Ouvimo-los quase diariamente associados a mortos e feridos. A combates e atentados. A senhores da guerra, senhores do ópio, senhores feudais.
Jalalabad, Kandahar, Mazar-i-Sharif, tal como Herat, Bamiyan e mesmo Cabul não podem ser apenas aquilo que nós, os que nunca as visitámos, somos capazes de imaginar a respeito delas.
Conseguimos imaginar a noite demasiado escura de Jalalabad.
Conseguimos imaginar homens de barba e mulheres de burqa.
Conseguimos até imaginar o cheiro a lixo às portas de Herat, onde “cheira tão mal como se tudo estivesse podre.”
Já não seremos capazes de imaginar uma família como a de Shaharzad, “uma casa tão pobre que estrela ovos numa bilha de gás, mas tão rica que lê os filósofos sufis e Wittgenstein.”
Como não imaginamos, no país das burqas e da sharia, uma equipa feminina de boxe treinada por um jovem afegão regressado da América.
Nem imaginamos, entre o cheiro a lixo, o perfume a rosas.
“No meio do trânsito mais tóxico há rotundas com rosas lindas em Cabul.” Parece um verso saído da música suave de Camilo Pessanha: “Floriram por engano as rosas bravas / No inverno.”
Só vendo se acredita.
É preciso ir lá. É preciso que nos levem lá.
E é preciso coragem: para ver as crianças de espinha bífida no hospital de Kandahar; para andar à boleia em aviõezinhos que quase permitem tocar com os dedos o cume das montanhas; para ouvir dizer na língua dos pashtun que aquilo que mais lhes falta é amniat – sabendo que amniat significa segurança – e ainda assim continuar, querer conhecer gente, tomar notas, correr riscos, ver, ouvir, dar a ler.
Este livro é um acto de coragem.
É um acto de optimismo, também.
Paul Theroux explica na introdução a “O Velho Expresso da Patagónia” que “os viajantes são essencialmente optimistas, ou então nunca iriam a lado nenhum.”
É esse optimismo que permite a Alexandra Lucas Coelho afastar quaisquer receios com uma espécie de fatalismo paradoxalmente empreendedor: “não há nada a fazer”. Mesmo quando por instantes se lhe infiltra na mente a dúvida acerca do desconhecido que a certa altura a transporta, sabe-se lá para onde, numa terra onde “um estrangeiro é um acepipe”. “Não há nada a fazer”. E a viagem continua.
Vamos com ela aos jardins de Babur. Descobrimos com ela – num país masculino, onde até na morgue há frigoríficos distintos para os cadáveres de homens e mulheres – a herança da extraordinária rainha Gowar Shad. Mergulhamos o olhar no azul intenso de Band-e-Amir, um milagre atribuído a Ali, primo e genro do Profeta, que continua a proporcionar a quem o visita os bens mais escassos num país em guerra: tranquilidade e alegria.
Aquilo que aqui, a ocidente, a milhares de quilómetros de distância, é apenas um borrão sem nome, uma massa de ideias vagas e de lugares comuns, geopolítica e geoestratégia, toma a forma de gente concreta, ganha contornos, espessura, rosto.
O facto de Alexandra Lucas Coelho escrever tão bem faz o resto. É o meio de transporte em que viajamos por um lugar aonde, é quase certo, nunca iríamos de outro modo.»
O Senhor Palomar informa que não. Mas as 3 de 30 (uma ruiva, duas loiras. Todas falsas), acham que sim. O Senhor Palomar deseja esclarecer que, tirando a parte do polegar oponível, a posição erecta e ser bípede, há pouco mais em comum. Ah, e também garantem que sabem quem é o Senhor Palomar - pelo menos assim está anunciado na barra lateral.
As três pessoas que ainda estão interessadas em saber quem é o Senhor Palomar devem dirigir os vossos emails para 3detrinta@gmail.com. Inclusive a Mónica Marques.
PS: Escrever Senhor Palomar aumenta as audiências. Mas "operação plástica ruinosa" também.



Patrick French escreveu uma biografia sobre Naipul, mostrando que a vida do escritor não foi nada fácil. Christoph Waltz, a propósito uma das interpretações mais inacreditáveis do cinema dos últimos 20 anos, diz que não faz mais nada do que aquilo que está no guião, como quem diz que o mérito da sua interpretação em Inglourious Basterds se deve a quem escreve e não a quem interpreta. É verdade, mas não só. Muito não só. Entretanto, há mais um motivo para ler Kafka, pois parece que melhora o nosso desempenho cognitivo. Jorge Sampaio, depois de dois mandatos presidenciais, lança-se a escrever para os mais novos, explicando-lhes o que é a política. Desde ontem, há um grande motivo para se ir até Madrid: uma retrospectiva do trabalho de Niemeyer que recupera o trabalho dos últimos 70 anos deste arquitecto. Ainda por Espanha, os críticos literários pedem mudanças no Jornalismo Cultural. E recordes atrás de recordes, Dan Brown pulveriza tudo o que é caixa registadora.
Aqui.
Ler no Público. E vai mais um leitor que confessa andar a ler Palomar, de Calvino.

Para ler no The Guardian.
...disse o gigante, que tem dificuldade em manter-se de pé sem a ajuda de muletas (*)». O homem mais alto do mundo (tem 2,46 metros), Sultan Kosen de seu nome e turco de sua nacionalidade, está disponível para entrevistas, durante a sua estadia em Lisboa. E está também no Guiness, cuja obra é publicada em Portugal pelas Publicações Dom Quixote.
(*) retirado do press da editora.
Estas e outras fotografias (vale a mesma a pena a visita), bem como sinopse da obra e biografia da autora, disponíveis no website próprio promovida pela editora. Caderno Afegão é o mais recente título da colecção de viagens da Tinta-da-China, coordenada por Carlos Vaz Marques.
Falará sobre a emigração portuguesa para França, e será lançado em Março do próximo ano, pela Quetzal.
A viagem do elefante e Rio das Flores estavam incluídos na lista de 50 obras, mas ficaram pelo caminho. Ler no Expresso e no Público.

Isabel Coutinho apresenta-nos 2666, ou melhor dito, os preparativos à volta da obra. Faltam 9 dias.
A Francisco José Viegas garantiram que sim. Ler, ou reler, a entrevista à autora aqui.
Ler no ABC.
Pedro Vieira, directamente de Paris.

Afinal Tolkien não escreveu apenas a saga da Terra Média. Também se colocou ao serviço dos serviços britânicos secretos, durante a II Guerra Mundial. Ler aqui.
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Ler na Ñ.
A Amazon acaba de anunciar que já vendeu mais exemplares do último livro de Dan Brown em suporte digital do que em suporte físico (ou tradicional, se preferirem). Ler no Público.
Esta é a proposta da Livraria Orvil, da Portela, em resposta à campanha das Livrarias Bertrand, que prometem uma edição especial e numerada para pré-encomendas do último livro de Dan Brown.
O jornalista do Público, que lançou recentemente pela Quetzal Editores As Sereias do Mindelo, relembra um sábio conselho: «Numa época e num país no qual todos se pelam por proclamar opiniões ou juízos, o senhor Palomar ganhou o hábito de morder a língua três vezes antes de fazer qualquer afirmação. Se, à terceira dentada na língua, ainda está convencido daquilo que estava para dizer, di-lo; se não, fica calado. Com efeito, passa semanas e meses inteiros em silêncio».
Ler no Expresso.
Roth dixit. Será que é este ano?
Ver aqui.
Minotauro é o nome da nova chancela da Edições 70. O projecto será coordenada por Antonio Sáez Delgado, estando o design editorial do projecto a cargo da FBA (que trabalha as restantes chancelas do grupo Almedina). O catálogo do projecto é bastante claro quanto à essência e objectivos: «o projecto Minotauro apresenta uma nova colecção de narrativa espanhola, construída com critérios de qualidade e exigência editorial, numa chancela própria, com autores seleccionados com rigor e à margem do mercadodominado pelas vogas passageiras.
Com um ritmo fixo de publicação anual, repartido por três momentos, a colecção pretende dar a conhecer a um público mais amplo um conjunto seleccionado de autores espanhóis contemporâneos, com obras rigorosamente seleccionadas e apelativas no seu cunho literário universal. Iniciando-se com nomes já consagrados, pretende- setambém, a médio prazo, dar a conhecer os autores emergentes da literatura espanhola actual.»
Da primeira leva de obras e autores, fazem parte:
- Álvaro Pombo, Contra-natura;
- Esther Tusquets, Bingo!;
- Rafael Chirbes, Crematório;
- Julián Rodríguez, Sem necessidade;
- Antonio Fontana, O perdão dos pecados;
- Belén Gopegui, O pai da Branca de Neve.


Aqui.
Aqui há umas semanas, o Senhor Palomar referenciou uma selecção de 10 títulos dedicados a Lénine. A editora assinalou, e bem, que se o tema fosse Estaline, o seu catálogo dispunha de dois títulos importantes. Aqui estão eles:
O Senhor Palomar gosta de desafios. Contactado pela Porto Editora a fazer uma entrevista a uma autora que, objectivamente, não conhecia até ali, mostrou alguma resistência. Mas nada que não se tenha ultrapassado com o empréstimo de livros antigos e a leitura deste último O sangue da terra, que a editora rapidamente fez chegar ao Senhor Palomar.
Sofia Marrecas Ferreira reside em Londres e O sangue da terra é o seu 5.º livro. Foi-lhe atribuído o Prémio Máxima Revelação, pela obra Mulheres de Sombra. É mais uma das transferências Asa-Porto Editora, levadas a cabo pelo editor Manuel Alberto Valente.
O lançamento da obra é hoje, pelas 19h00, na Casa do Alentejo, em Lisboa, com apresentação da obra a cargo de Francisco José Viegas e Helena Vasconcelos.
Sofia Marrecas Ferreira, onde estava no 25 de Abril?
No 25 de Abril, estava em Lisboa. Tinha 13 anos, saí às 8h30 para ir para o Liceu, vi um chaimite que passava ao fundo da rua, um homem gritou: - Volte para casa, volte para casa, é a Revolução! E eu voltei para casa onde passei a manhã toda a ouvir as informações na telefonia com a minha família. Mais tarde fui para a rua e, como milhares de Portugueses, desci a Avenida da Liberdade.
Considera-se uma escritora para um público feminino ou vê-se como (tendencialmente) feminista? O Senhor Palomar explica: todos os seus livros têm mulheres de forte personalidade, mas os homens são um pouco guiados pelas circunstâncias, mostrando traços de carácter menos positivos. Tem um visão maniqueísta dos dois sexos?Não escrevo para um público especialmente feminino nem me sinto "tendencialmente" feminista. Escrevo apenas sobre o que vejo e como sinto o que vejo. Ou seja: escrevo sobre uma sociedade portuguesa que me parece ainda profundamente matriarcal, em que as mulheres permanecem figuras centrais.
Quanto aos homens, nos meus livros, sim, talvez sejam mais distraídos. Passam e nem sempre se detêm, trazem com eles o Amor e a Fantasia, são poetas e provocam paixões. Talvez umas tenham os pés mais na Terra e os outros... a cabeça no ar. São por isso complementares. E não há maniqueísmo.
Onde e como decorre a sua oficina da escrita? Ainda escreve à mão? Tem uma caneta especial? Começa a escrever a determinado dia?
Blogosfera
Fontes de informação
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