«Moçambique e África são temas presentes em suas obras. Você acha que é preciso expandir a realidade africana para o mundo? Os que pensam, na verdade, não pensam. Para os que pensam a África, a ideia já está formada. Acham que já sabem. Que seja por uma romantização de esquerda ou direita. A África que existe na cabeça da maioria das pessoas é folclorizada, idealizada. É uma África que não existe. E os próprios africanos assumiram essa imagem. Acredita-se que a África é assim não por questões históricas, mas por uma espécie de genética do continente.»
O Senhor Palomar acertou na mouche. Não só revelou o mistério sobre que obra estaria relacionada com o General Zia, como, inadvertidamente, acabou por colocar a capa original que viria a ser adaptada para o mercado português. Ver no Porta-Livros, um dos blogs seleccionados pela Porto Editora para levar a cabo esta iniciativa.
A Revista 365 (www.revista365.com) agora é de distribuição gratuita. Neste número especial, reune-se alguns textos anteriormente publicados. Constam da lista nomes como Fernando Ribeiro, João Pereira Coutinho, José Luís Peixoto, Pedro Sena-Lino e valter hugo mãe.
A direcção é de Fernando Alvim, a edição de António Gregório e Carina Fonseca, e o design de Alex Gozblau.
A discussão continua acesa, mas do Brasil chegam ventos que dão conta do sucesso da implementação do acordo o ortográfico. Claro que nestas coisas há sempre vinte que ficam satisfeitos e outros tantos que ficam aborrecidos. Mas fica aqui a nota.
«Neste livro que reúne meia centena dos seus «melhores poemas», de Livro de Silbion (1963) a Sonetos do Paiol ao sul da Aurora (1997), Nejar oferece ao leitor uma viagem-relâmpago ao fulcro da sua obra, por muito que a «apertadíssima escolha» provoque no poeta português António Osório, autor da nota introdutória, uma não escondida perplexidade: «Mas como ousou Carlos Nejar, senhor de uma obra imensa [perto de 30 títulos], reduzi-la a… 50 poemas? E os “melhores”, porquê os melhores? Os outros, as inúmeras centenas, não contam? Serão eles menores?»
«O seu último romance, O filho da mãe, um projecto encomendado (o autor teria de passar três meses numa cidade estrangeira e situar lá o plot), tem São Petersburgo como cenário. O título tem que ver com o facto de existir uma associação de mães que zela pelos interesses dos filhos destacados à força para a Tchetchénia. Bernardo Carvalho viveu em São Petersburgo durante uns meses. Um susto. O livro fala da nova Rússia. A Rússia dos arqui-milionários, do consumismo desenfreado, das máfias. A Rússia que deixou de ser URSS mas não abdicou do ocupar a Tchetchénia. Fala de desespero e humilhação: oficiais do exército russo que obrigam recrutas e soldados a prostituirem-se com homens.»
Opinião do imprescindível Eduardo Pitta, no Da Literatura: «cada vez mais a distribuição é um caos. Sucede que, já em 2009, a Guimarães editou meia centena de títulos. Mas, em livraria, eu vi três. A notável saga da Crónica da Vida Lisboeta, de Joaquim Paço d’Arcos — seis romances, publicados entre 1938 e 1956, agora reunidos em três volumes de capa dura —; o referido Dicionário Imperfeito e, por último, Pensadora entre as coisas pensadas (2008), lição do doutoramento honoris causa em Línguas e Literaturas Europeias e Americanas outorgada a Agustina pela Universidade Tor Vergata, de Roma, em edição bilingue traduzida por M. Freitas da Costa.
E afinal há um mundo por descobrir. Joaquim Paço d’Arcos (1908-1979) devia dispensar apresentações.»
Apesar de se tratar de uma biografia, este volume não pertence à colecção homónima, mas sim à colecção "extra-colecção". Recorde-se que na colecção de biografias, a Edições 70 já publicou estudos de Lénine, Maquiavel, Fidel Castro, entre outros.
O actual volume chama-se "César Bórgia", e é da autoria de Ivan Cloulas.
César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, foi para Maquiavel a encarnação do príncipe ideal do Renascimento. Com uma vida cheia de excessos, veio a morrer aos 32 anos.
Ivan Cloulas é um antigo membro da École Française de Roma e da Casa de Velázquez em Madrid, e especializou-se no estudo do período da Renascença, tendo publicado diversos estudos e biografias. Foi, pelo conjunto da sua obra, galardoado com o Grande Prémio de História da Academia Francesa.
César Bórgia, Ivan Cloulas, Edições 70. Tradução de Victor Silva. 18 €
« Thomas Bernhard, prolífico autor de uma das obras mais importantes da segunda metade do século XX, reuniu um conjunto de textos sobre os vários prémios que recebeu ao longo da vida, anexando-lhes alguns dos discursos que proferiu em tão solenes ocasiões. Entre a constatação da ignorância de parte considerável dos presentes nas cerimónias e o registo de algumas preocupações de cariz existencial que extravasam a temática dos prémios, a verve de Bernhard produz um discurso frontal, certeiro nos seus alvos e nada encantado pelas luzes da ribalta. Assumindo que aceita os prémios porque o dinheiro lhe faz falta, o autor de Frost não se poupa a descrições pormenorizadas, algumas hilariantes (apesar do tom sério), das cerimónias. Entre croquetes e cumprimentos, há muito pouca literatura.»
Ignacio del Valle, que está publicado em Portugal pela Porto Editora, acaba de lançar, em Espanha, «Los demonios de Berlín» (Alfaguara). Reportagem ontem no El País.
O Senhor Palomar tentou, mas não conseguiu duplicar aqui a apresentação flash do El Mundo que apresenta uma série de fotografias de bibliotecas, do fotógrafo turco Ahmet Ertug. Esta recolha está em exposição em Paris: «Comparadas con las bibliotecas modernas, donde los libros están en el depósito y los lectores no pueden verlos ni, menos aún, tocarlos, las antiguas son totalmente diferentes: poseen un alma. Yo lo comparo con el acto de comprar libros. Antes los comprábamos en una librería y hoy en Internet. Tocar los libros, hojearlos y tenerlos entre las manos, confiere un placer único a la lectura. Me gusta sumergirme con mi cámara fotográfica en esos espacios arquitectónicos extraordinarios, que son las bibliotecas antiguas, donde el tiempo transcurre lentamente.»
José Saramago, durante uma visita à Casa dos Bicos, futura localização da Fundação, disse aos jornalista que o grande objectivo é que a Fundação José Saramago se torne «num pólo cultural de Lisboa»: «"Ao contrário do que algumas pessoas mal-intencionadas quiseram fazer acreditar, a Casa dos Bicos, que vamos ocupar, não está aqui simplesmente para glorificar a vida ou a obra do senhor Saramago, está aqui para ser útil"»
A não perder no caderno "Actual" do Expresso (página 24) o artigo de António Guerreiro que desenvolve as recentes notícias em volta de Jorge de Sena: a doação do espólio à Biblioteca Nacional e a reedição das obras deste autor, por parte da Guimarães Editores.
O Senhor Palomar teve demasiado pudor para sequer se aproximar do Nobel português. E não se atreve a escrever uma linha sobre o assunto. Mas vale a pena observar com atenção o que escrevem JoséMárioSilva, Isabel Coutinho e Sara Figueiredo Costa.
Anda o Senhor Palomar há meses (anos) a tentar perceber o que é o blogue Irmão Lúcia, e eis que, (quando já perdera a esperança, remetendo-o para a categoria de inclassificável), Pedro Vieira, inspirado, apresenta uma definição para a sua plataforma. Aparentemente, trata-se de «um quase blogue na terra dos quase romances»
O Senhor Palomar reparou agora que nunca falou da Gradiva. O que é uma tremenda injustiça. Conotada por certos públicos com a «a editora do Rodrigues dos Santos», só o olhar menos atento poderá pensar que esta é só a editora do pivot da RTP.
A Gradiva é uma das mais respeitáveis e coerentes editoras do nosso mercado, tendo feito mais pela divulgação da ciência que o Ministério correspondente em 10 anos. Sob a batuta de Guilherme Valente, tem empreendido um elevado esforço para «trocar por miúdos» conceitos que não têm de estar só no cânone dos cientistas do MIT. Quando vai buscar autores como Crato e percebemos que a Matemática está em todo o lodo ou quando nos deixa desconfortáveis depois de ler Steiner, este editor acumula funções e está, ele próprio, a assumir o papel de Ministro da Educação. E isto só para falar de dois casos. Porque há outros: Carlos Fiolhais, João Lobo Antunes, João Caraça, ou, e este é o mote do post, Eduardo Lourenço.
Eduardo Lourenço dispensa apresentações e não será o Senhor Palomar a assumir esse atrevimento (ou risco, se o leitor preferir). Mas tem atrevimento suficiente para falar da mais recente obra do ensaísta. Em «Esquerda na encruzilhada ou fora da História?», o português radicado há muitos anos em França apresenta a sua visão da esquerda política, bebendo e dissertando das suas raízes históricas, mas igualmente das suas implicações no contexto social e económico. Sem deixar, nem outra coisa se esperaria, de falar do caso Portugal. Alguns dos capítulos da obra são bem elucidativos e deixam o Senhor Palomar a salivar: A Esquerda como Problema e como Esperança», «Para uma Esquerda sem Ilusões ou A Memória Curta», ou «Do Estado como providência —(O fim de um mito?)».
Alguns dos ensaios políticos antologiados tiveram publicação em diversos meios, como o Expresso ou o Jornal, e sua escrita feita em diversas datas.
Outras obras do autor na Gradiva (mas há mais): O Esplendor do Caos (1998), Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade, (1999), A Nau de Ícaro seguido de Imagem e Miragem da Lusofonia (1999), A Europa Desencantada— para Uma Mitologia Europeia (2001); Destroços— O Gibão de Mestre Gil e Outros Ensaios (2004). O Lugar do Anjo— Ensaios Pessoanos, Gradiva, 2004.
A não perder no Ípsilon de hoje a reportagem de Alexandra Prado Coelho dedicada a "Veneza", de Jan Morris (Tinta-da-China), que conta com testemunhos da autora. Tradução de Raquel Mouta (excelente, segundo avança o coordenador desta colecção de viagens, Carlos Vaz Marques).
Ler ainda a crítica de Eduardo Pitta, que atribui 5 estrelas à obra: «Morris adverte que não se trata de um livro de história, nem de um guia, nem sequer de uma reportagem. Ignore os avisos. O índice remissivo contém todas as referências importantes, e uma cronologia entre o ano 421 e 1960 não deixa nada de fora. O índice onomástico é precioso. Convém perceber que falamos de uma sociedade fechada: «Veneza nunca foi amada. Sempre esteve à parte, sempre foi invejada, sempre suspeita, sempre temida. [...] Era o leão que caminhava sozinho.» Ler na íntegra aqui.
Quanto ao tema, e de forma mais abrangente, o Senhor Palomar acha que se Calvino já for um clássico (aparentemente, e segundo declarações recentes, livros com mais de seis meses são fundo de catálogo) então sim, vale. Muito.
Guilherme de Oliveira Martins, presidente do CNC, anunciou que será cedido um espaço para a inventariação do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen (composto por cerca de 70 caixas, com poesia, prosa, agendas, cartas, folhetos,...).
Maria Sousa Tavares, filha da poeta (e professora da Faculdade de Letras de Lisboa) estará à frente do projecto. O espólio ordenado será doado à Biblioteca Nacional em 2010.
«Desde o início, impressiona a coerência de um pensamento sobre a arte que se desenha e reitera ao longo de todos os textos. Um dos tópicos mais glosados é o da sinceridade do artista, que, na óptica do autor, serve para o distinguir de um teorizador, na medida em que as ideias podem ser discutidas e contestadas racionalmente, mas o mesmo não se pode fazer em relação a uma obra de arte: «Se uma obra de arte nos não fala, ela puramente não existe.»
O quase romance de Miguel Sousa Tavares (Oficina do Livro), com data de estreia para o dia 7 de Julho, está a ser trabalhado pelo autor há um ano e meio. O que levanta uma dúvida ao Senhor Palomar: o «quase diário de viagem», «quase romance de amor», se tivesse começado a ser escrito há mais tempo, ou publicado daqui a uns tempos, chegaria a ser um romance? Mesmo.
O Senhor Palomar acaba de ser agraciado com o Prémio Lemniscata, cortesia de Margarida Baldaia do blog O noivado do Sepulcro. Este prémio tem por objectivo premiar "blogues que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores".
O Senhor Palomar agradece e deixa a sua lista de 7 blogs: - Bibliotecário de Babel, José Mário Silva
Um passeio pelos cenários de Estocolmo da trilogia Millennium de Stieg Larsson é o que nos propõe o site El Viajero. Um exemplo: «a casa de Lisbeth se sitúa en el ático del número 9 de Fiskargatan. Un lugar que, en la vida real, resultó bastante polémico tras su construcción, pues la altura del edificio tapaba las vistas de la iglesia luterana de Katarina Bangata, situada justo detrás. El apartamento de Salander se distingue del resto por el revestimiento metálico verde que lo cubre. Desde sus ventanas es posible contemplar una espectacular vista del Báltico y de las islas de Gamla Stan, Östermalm y Djurgarden, en este orden, de izquierda a derecha.»
A propósito da sua participação em Paraty, Gay Talese (publicado em Portugal pela Editorial Presença) deu uma entrevista à Folha de S. Paulo.
«O senhor acredita que seu estilo de escrita, que ficou conhecido como jornalismo literário, pode ser uma arma poderosa para combater a crise do jornalismo em geral - a imprensa impressa especificamente - enfrenta hoje? Não sei se o "jornalismo literário" salvará o jornalismo tradicional como o conhecemos; mas o jornalismo sempre teve figuras literárias em suas fileiras (Ernest Hemingway [1899-1961] começou assim, como George Orwell [1903-1950], Gabriel Garcia Márquez etc.)»
«Armistead Maupin é um escritor e jornalista laureado, combateu no Vietname (1967-70) como fuzileiro naval, assumiu publicamente a sua homossexualidade em 1974 e, em 2007, casou com o fotógrafo Christopher Turner. Michael Tolliver está vivo, o seu mais recente romance, chegou às livrarias portuguesas numa tradução irrepreensível de Duarte Sousa Tavares.»
Hoje, pelas 18h30, na Sala Coimbra B do Tiara Park Atlantic Hotel (antigo Méridien), em Lisboa, José Mário Silva e Isabel Coutinho participarão na apresentação multimédia do mais recente livro de José Saramago: O Caderno. Esta obra recolhe posts publicados pelo Prémio Nobel no seu blogue.
O evento terá transmissão vídeo em directo, através do portal SAPO Vídeos. Os interessados poderão dirigir perguntas ao Nobel português, enviando-as para o endereço pergunteasaramago@sapo.pt.
A Câmara Municipal de Lisboa e o realizador João Botelho assinaram um protocolo, com vista à adaptação ao cinema do “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa).
A cerimónia terá lugar no dia 6 de Julho às 18h30, na Casa Fernando Pessoa.
Obras publicadas em Portugal (pelas Publicações Dom Quixote): O Palácio dos Sonhos (1992), A Pirâmide (1994) Abril Despedaçado (2002), A Filha de Agamémnon e o Sucessor (2008) e o livro de ensaios ensaio Três Cantos Fúnebres pelo Kosovo (2002).
O Prémio Príncipe das Astúrias foi criado em 1975.
O Senhor Palomar, que subscreve a newsletter da wook.pt, viu hoje anunciado um novo livro de Miguel Sousa Tavares.
Ao que parece, segundo a editora, trata-se de um quase romance (ver capa); mas para a newsletter da livraria online, informação que se repete na página online da livraria, o livro é mesmo um "romance". Sem o quase. Como não é claro que o "quase romance" faça parte do título, o Senhor Palomar está apreensivo e gostaria de saber em que ficamos.
O Senhor Palomar não gosta que o baralhem. A vida já é complexa o suficiente e não gosta que a ficção do dia-a-dia não seja directa e simples. O Senhor Palomar quer escolher as suas leituras de Verão e assim não consegue. O Senhor Palomar gostava de ser esclarecido, porque em breve partirá para férias. E agora o Senhor Palomar vai ver a página da concorrência para ver se percebe o que se está a passar.
1. Que sabemos de ti, se versos só deixaste, 2. Que lembrança ficou no mundo que tiveste? 3. Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos, 4. Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
«A Gate at The Stairs» estará nas livrarias norte-americanas a 8 de Setembro. Lorrie Moore, autora de «Pássaros da América» e de «Como a Vida» (Relógio d’Água), não publicava desde 1998.
No Brasil sairá uma nova edição do livro de contos "O que falamos quando falamos de amor", de Raymond Carver, sob o título "Os iniciantes". Esta edição está de acordo com "Beginners", lançado o ano passado nos EUA.
Beginners segue a versão original entregue pelo autor ao editor Gordon Lish que, em 1981 decidiu cortar grande parte do texto do autor. Carver não concordou com as alterações e cortou relações com Lish. A iniciativa da publicação partiu de «Tess Gallagher, viúva do autor, a partir dos originais encontrados por dois acadêmicos americanos numa biblioteca da Universidade de Indiana».
«Ao alternar as entradas dos dois diários, Barry traça pouco a pouco o perfil de duas pessoas à beira da desintegração. Roseanne, vítima há várias décadas de uma história de vingança familiar que levou ao seu internamento à força, a pretexto de uma loucura inexistente, agarra-se ao passado com unhas e dentes, tentando resgatar uma versão dos factos que a memória – falível – pode ter entretanto distorcido. A Irlanda que emerge deste relato é escura, brutal, sangrenta, com o ódio entre católicos e protestantes a envenenar tudo, mas há também momentos de um lirismo luminoso, como se o negrume e a mais pura beleza fossem duas faces da mesma moeda.»
Hoje, na Bertrand do Chiado, pelas 18h30, será feita a apresentação da biografia de Eça de Queirós, de Maria Filomena Mónica (Quetzal). Estarão ainda presentes António Sousa Homem e Francisco José Viegas - o que não será fácil.
Se o livro não fosse já suficiente para a caminhada, informa-se que serão servidas queijadas de Sintra e licores. O Senhor Palomar estará presente.
Hoje, na Casa Fernando Pessoa será apresentado «Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis», com organização de Jerónimo Pizarro. A obra, que conta com inéditos de Fernando Pessoa, será apresentada por Inês Pedrosa.
Alguns dos inéditos incluem «um texto inédito sobre o encontro de Fernando Pessoa e Crowley, textos inéditos que revelam a posição do poeta em relação às aparições de Fátima (que na época gerou alguma polémica junto do episcopado), escritos que revelam Pessoa igualmente como escritor e leitor de romances policiais, assim como algumas curiosidades como a publicação da certidão de nascimento do poeta e das notas de Pessoa para 'regras de vida', entre outros», lê-se na nota de imprensa.
Uma edição da Texto Editores (via chancela Alfarrábio), com organização de Jerónimo Pizarro, doutor em Linguística Portuguesa, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e em Literaturas Hispânicas, pela Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Harvard.
Os textos foram recolhidos por José Barreto, Steffen Dix, Patricio Ferrari, Sara Afonso Ferreira, Ana Maria Freitas, Carla Gago, Manuela Nogueira, Rita Patrício e Jerónimo Pizarro.
Notícia para ler aqui. Durante a cerimónia, o autor, publicado em Portugal pela Dom Quixote, confessou que sempre pensou que nunca encontraria um editor que aceitasse publicar as suas obras.
«Políticamente incorrecto» é o título da entrevista. O senhor Palomar chama a isto uma redundância. A não perder, claro. Excerto:
«En los libros desde mediados de los '90 en adelante, los desenlaces suelen ser provisorios, incluso los que llegan al promediar el libro, mediante las diversas ambigüedades propias de la realidad: hay diálogos imaginarios, conjeturas e hipótesis que e dan por buenas; sueños, fantasías, imposturas... Ficciones multiplicada en espejo. Pero eso es la invención. Yo nunca me trazo un argumento de principio a fin, me dejo llevar por el envión, me sumerjo. No podría decirle por dónde comienzo; si lo supiera no seguiría siendo tan difícil. ¡Cada vez empiezo de cero! Tengo una noción de cierto personaje en una situación complicada. Cada narración surge de un personaje en una situación inédita para la que no está preparado. La clave al escribir es encontrar, sin un plan, por puro instinto –y éste es el don– el personaje adecuado a cada predicamento. En Pastoral americana , el sueco Levov debe enfrentarse con la noticia de que su dulce hijita se convirtió en una terrorista urbana: él no está preparado para lo que significarán los años '60 en los Estados Unidos. Ningún ser humano está preparado para lo que debe enfrentar en su vida.»
Imagem de um Roth despenteado retirada do mesmo artigo (link acima).
João Fazenda continua a dar cor aos livros da Assírio e Alvim. Depois da trilogia Dennis McShade, chega a vez do livro de João Paulo Cotrim, intitulado "Combo", dedicado à obra do ilustrador. Esta obra tem a particularidade de a sobrecapa, desdobrada, fazer um poster.
O Senhor Palomar fica grato, mas apenas está cá para ajudar. Ainda assim, não pode deixar de ficar sensibilizado, pois indispensável é uma palavra muito forte. Um abraço, caro Tiago. Um abraço. E obrigado.
Eis a sinopse divulgada pela editora à imprensa: « Profundamente abalado pela morte da mulher, Dordalma, aquela que era "um bocadinho mulata", Silvestre Vitalício afasta-se da cidade e do mundo. Com os dois filhos Mwanito e Ntumzi, mais o criado ex-militar Zacarias Kalash, faz-se transportar pelo cunhado Aproximado para o lugar mais remoto e inalcançável.
Aí, numa velha coutada de caça em ruínas, funda o seu refúgio, a que dá o nome de Jesusalém, porque a vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado".
Assim começa este novo romance de Mia Couto. Mas apenas começa, porque a vida, e a imaginação do autor, quando se combinam, como é aqui o caso, produzem os efeitos mais inesperados e surpreendentes.»
Para promover a obra, Mia Couto estará em Portugal entre 12 e 25 de Julho.