

O Senhor Palomar pergunta-se se alguém acharia mesmo que não convocaria para esta mesa um dos seus amigos de 2666:
«Amalfitano é o nome de guerra de um pacifista, o desígnio divino de um ateu. Diz-se que já viveu em Santa Teresa (isto é, Ciudad Juarez; isto é, o inferno na terra), com uma voz alheia dentro da cabeça, um medo doido de perder a filha, um livro pendurado com molas nas cordas da roupa. Ele bem que gostava de ser esse homem frágil, perdido no seu próprio labirinto, mas não é personagem de Bolaño quem quer. O mais certo é que viva no Bombarral. Ou então dorme num carro velho, saco-cama no banco de trás e porta-bagagens a abarrotar de livros. Ou então é um gerente de conta do BES, com uma visão muito peculiar do que é o Espírito Santo (nem queiram saber). Ou então embala bifinhos de peru no talho do Pingo Doce de Alvalade, enquanto se imagina num dos navios do Conrad. Ou então é um comentador desportivo com complexos, por gostar dos livros de W. G. Sebald. Ou então é um intelectual da nossa praça de táxis. Ninguém sabe. Ninguém vai saber. Agora aturem-no.»

Chegou a vez de Molly Bloom se instalar, passe a expressão, no Senhor Palomar. Apresentação pela própria: «Apelidaram-na de Penélope, dupla da mulher de Joyce, Mulher com direito a maiúscula e tudo: Molly Bloom não quer ser mais do que uma Flor da montanha. Tem à cabeceira uns quantos escritores do establishment português e anglo-saxónico, mas não se priva de escapadelas frequentes com géneros de reputação imprópria. Ilusões, não as tem. O seu mundo é o sensual, a sua palavra a do corpo. Logo, ler dá-lhe tanto prazer quanto cortar os dedos nas folhas. (É só por essa razão que os e-readers não hão-de entrar em Eccles Street, pelo menos até neles poder confundir o seu sangue com o sangue do livro.) Sabe pontuar, oh sim!, se sabe. E sabe dizer não.»
Imagem acima: Nan Goldin, Sandra in the Mirror, New York City, 1985.
Mais um colaborador do Senhor Palomar: «Ninguém sabe por que razão Godot não apareceu à hora combinada. É um mistério que alimenta a escrita, combustão para múltiplos devaneios. Mas essa talvez seja a melhor forma de entender a literatura. Como uma ausência que se pressente, a manifestação do que não se vê, um vazio ou um nada que o leitor tem de preencher. Não há verdades definitivas, nem certezas duradouras. Apenas o prazer da leitura. É isso que o senhor Godot pretende partilhar convosco: momentos de silêncio, ao lado de um livro, de um romance, de um ensaio, de um poema ou de um clássico, filtrados pela acessibilidade da linguagem comum. Tirando as suas leituras, Godot tem pouca história. A sua biografia não apresenta muitos factos de relevo. Faz parte daquela geração que aprendeu a viver entre a épica e a crise iminente. Gosta de ler muitos livros de seguida e de os misturar na cabeça. Tem especial devoção pelos bons tradutores, aprecia edições cuidadas e colecciona obras completas. Diz que sim a muitos encontros. Mas a maior parte das vezes esquece-se de aparecer. Talvez fique a ler. Ou a escrever para este blogue.»

"Se eu fosse... Nacionalidades". Ilustrações de Rui Penedo.
O lançamento é amanhã, na Fábrica dos Pastéis de Nata, em Belém. Apresentação da doce Carla Maia de Almeida. O Senhor Palomar quer.

Mais um convidado: Emma Bovary.
Apresentação pela própria: «Emma Bovary gosta de ler romances de todo o tipo. Lê livros considerados bons e tem um fraquinho pelos livros dos tops, mal vistos pela crítica e pela blogosfera bem lida e melhor pensante. Madame Bovary não é Gustave Flaubert, apesar de poder, eventualmente, ser casada. Emma Bovary é, com certeza, uma senhora, e não acredita que a literatura corrompe. Segundo Emma, que andará pela casa dos trinta e viveu muito pouco, a humanidade está à partida corrompida e só a ficção pode salvar-nos, na medida em que banaliza os erros e nos aliena e angustia de forma mediada, por vozes entrepostas. No sufoco dos outros, podemos esquecer-nos do nosso e respirar melhor. Madame Bovary também lê poesia, mas não gosta de falar sobre isso. E livros de culinária, mas promete não relatar receitas falhadas.»

K. é o novo colaborador deste blogue. Velho amigo do Senhor Palomar, e numa altura em que o jornalismo português tenta fabricar novos heróis da nossa literatura (como se isso fosse uma justa homenagem ao genial defunto que apenas começou a dar nas vistas depois dos cinquenta), um homem que passou por tão longo, e penoso processo, dará um ar da sua graça e desgraça. Textos do próprio em breve.
O Senhor Palomar terá novidades para breve. O Senhor Palomar vai abandonar esta casa, mas antes vai enchê-la de amigos. O Senhor Palomar vai continuar, mas em companhia. O Senhor Palomar não pode dizer mais nada, porque os convidados que passarão a ser residentes ainda não fizeram o check in. O Senhor Palomar é como aqueles deputados que falam muito, mas não dizem nada. Agora, o Senhor Palomar vai ali e já vem.
As palavras têm destas coisas. Dizer: o teu olhar tem ódio é, já se vê, muito diferente de o teu olhar tem ópio. E, contudo, a separar as frases, apenas uma letra.
Por outro lado, se este post fosse retirado de um volume de poesia concretista, todos veriam que basta passar uma tempestade para haver uma inversão da forma (ou dos papéis), pelo que é normal que um d se transformar num p. Ou talvez não se dissesse nada e isto seja simplesmente estúpido.

José Luís Peixoto terminou o seu novo romance. E isso é uma boa noticia. Livro, diz ele.
O Senhor Palomar tem amigos que escrevem livros. Amigos que não sabem se conseguirão escrever livros. Amigos que quase deixam de viver para os escrever, mas também outros que não se atrevem a redigir uma linha sem antes pensarem em viver. O Senhor Palomar tem amigos que se comprometem com a escrita, mesmo que não sejam capazes de se comprometer com as pessoas que amam, ou (por vezes pior) com as pessoas que as amam. O Senhor Palomar gosta dos seus amigos, mas por vezes não gosta dos seus livros: o Senhor Palomar sabe que isso interessa para pouco.

Try. Fail again. Fail better. O único problema é mesmo o adjectivo.
«Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal.» Eça de Queirós. Roubado ao excelente Autores e Livros, de Eduardo Coelho.
«Também eu estou cansada de ver “os melhores espíritos da minha geração” destruídos pelo desgosto quotidiano que é viver neste país; gente para quem emigrar, hoje, é uma decisão tão saudável como combater o mau colesterol. Quem fica, seja por que razão seja, sabe que tem de ser feito de uma liga especial para resistir à corrosão e ao desgaste permanentes. Uma têmpera de aço, ferro, carbono, fósforo, titânio, tungsténio e o diabo a sete, como o raio do Terminator.»
Façam o favor de ler na íntegra aqui.
Haverá poucas coisas que fazem o Senhor Palomar lamentar tanto e ter pena de si. Uma delas é a vida e a sua capacidade para, num só instante, lhe mostrar que nem toda a literatura do mundo (a melhor, a mais completa, a mais certa de si e a que melhor preenche os tempos que por uso se definem por mortos) é capaz de colmatar a perda de alguém.
Atente-se na quantidade de notícias em volta do SLB e dos adversários directos, que surgem na página de desporto do Público. Agora veja-se o teor das mesmas: entre acusações de que o primeiro classificado terá sido levado ao colo, que a defesa está a ceder e que Jorge Jesus vai ter uma semana terrível, assim se vai passeando o Jornal Público. E o Senhor Palomar a vê-lo passar.
Simplesmente o Senhor Palomar anda ocupado. E para já não diz com o quê.
Achas que sabes escrever? Uma ideia de José Mário Silva que o Senhor Palomar subscreve. No passado, já se fizeram tentativas do género, num programa então dirigido por Mário Zambujal e Rita Ferro. Se a televisão passa a vida a ser necrófaga, ressuscitando e empolando o que mais nos envergonha, por que não recuperar esta boa ideia?
Barcelona- Arsenal: 4-1. Não admira que o rei Maradona diga coisas destas.
É um ficheiro ou uma plataforma? Um avião ou um pássaro? José Afonso Furtado explica, com o rigor do costume.: «o termo ebook tem sido usado, pelo menos de três formas diversas: um livro codificado em formato electrónico; o formato electrónico em que o texto é convertido ou criado; e o dispositivo de leitura dos textos digitais ou digitalizados. » Continuar a ler aqui.

Dois críticos degladiam-se em torno do último de romance de Roth. Um contra, outro a favor da obra.
O Senhor Palomar acha que isto já parece o último livro de Manuel Alegre ("O Miúdo que pregava pregos numa tábua") que tem recebido, em igual medida, louvores e críticas. Conceição Caleiro, no Público, arrasa o livro, José Mário Silva, no Expresso, defende-o, e por aí fora. Para ir acompanhando.
Já bastou a história do ponto de exclamação que tantos impropérios valeu ao Senhor Palomar. Por isso, o amigo Tiago que o desculpe, mas o Senhor Palomar não entra em polémicas. A não ser as literárias que, infelizmente, estão em vias de extinção. Se quiser encenar uma, o Senhor Palomar aceita. Mas tem de desde já aceitar a regra base: não chama velho ao Senhor Palomar, que 31 é pouco mais do que nada. Queira por favor fazer uso do mail do próprio com propostas, que ele promete responder: senhorpalomar[arroba]gmail.com.
O Senhor Palomar fica à sua espera e enquanto não vem a próxima onda, vai ali deliciar-se com o Ammaniti (Como Deus Manda, Bertrand) e volta já.

E agora está no Douta Ignorância, acompanhado pelo Bruno Vieira Amaral e pelo Rui Passos Rocha. Só não lhe peçam para que esteja de acordo convosco. O Senhor Palomar está muitas vezes contra. Mas gosta quase sempre.
Chama-se As Beiras, mas está localizado em Coimbra. Recorde-se que esta publicação reproduziu uma ilustração do talentoso Pedro Vieira, sem nada dizer a ninguém. Chico-espertice, portanto.
Sir Christopher Lee lê Jabberwocky, de Carroll. Na British Library. Vídeo aqui. E não se esqueçam de ir passando pelo blog da Senhora Wittgenstein (como é óbvio todos os namoros são para casar, mesmo os que não são), que nos últimos dias tem dado largas à sua grande fixação por Alice.
«Notícia do Benfica entre as mais lidas do "The Wall Street Journal"»
Analisado pela Ñ. Reforce-se que O III Reich é publicado em Portugal pela Quetzal, na primeira tradução mundial da obra.
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O Pedro Vieira foi roubado. E como a culpa morre solteira, o mais certo é que a este jornal (assim designado à falta de melhor definição), aconteça o mesmo que aconteceu da outra vez. Nada, portanto. Abaixo, o recorte postado pelo próprio Pedro Vieira. Para vergonha pública de quem autorizou a publicação sem autorização. O Senhor Palomar já nem fala de pagamento.
Terá isto alguma coisa a ver com a revolução amarela? Tem, Isabel Coutinho?
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Solar, de McEwan (Gradiva), foi lançado ao mesmo tempo de todos os países de língua inglesa. Ler no DN.
Vale a pena ler o artigo de Brian Boyd que analisa com particular rigor o inédito de Nabokov, publicado o ano passado. Recorde-se que o autor não pretendia ver publicado esta obra. Convém assinalar ainda que, já em 1950, Nabokov queria queimar um original, naquela altura ainda incompleto. Chamava-se Lolita. Ler aqui.
O Francisco José Viegas, emérito portista, já disse tudo. Tudo o mais são crónicas de uma morte pouco anunciada.
Jaime Bulhosa é que a sabe toda: http://livrariapodoslivros.blogspot.com/2
O Senhor Palomar pede desculpa por hoje só falar de edição do blog, no lugar de edição literária, mas as mudanças são tantas (mesmo para quem ainda não chegou aos "entas"), que está perturbado. E não querendo servir disto desculpa, pondera tirar umas (outras) férias. Até ter tempo e paciência para enfrentar as mudanças. Kafkiano por kafkiano, o Senhor Palomar prefere o original.
Mas ainda assim o Senhor Palomar gostaria de dizer que a Angelus Novus desenhou um belíssimo anúncio para comunicar o excelente Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo. Se conseguir ainda vai colocar aqui o anúncio.
O Senhor Palomar é um ingrato. Voltou, começou a garatujar umas coisas, foi postando e não avisou ninguém. Sobretudo quem importa. É um ingrato e merece ser devidamente punido com a sobranceria de todos. Por isso mesmo e sem ironias, o Senhor Palomar espera pouca atenção de ora em diante. Um tipo que desaparece durante uns tempos e se esquece do que é importante não merece ser lido, citado, linkado, muito menos visitado. Mas sejam muito bem-vindos todos aqueles que ainda por aqui passam, ao fim de tanto silêncio.
Lembrança do livreiro, ilustrador, autor, dj, entre outros, Pedro Vieira. Recentemente, foi anunciado que Pedro Vieira se prepara para lançar o seu primeiro romance. Título avançado: «Última estação: Massamá». Editora ainda por revelar.
![[philip+roth.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_fw9m61IFmhk/S6LITBOLAII/AAAAAAAACk4/XHgr6zdXI5c/s1600/philip%2Broth.jpg)
Na verdade, até nem é assim tão pesada. É alta, mas não é pesada. É a Mónica Marques, autora do Sushi Leblon e do quente Transa Atlântica (Quetzal). Para (per)seguir aqui.

O elefante que a Disney celebrou tem como base o conto "Dumbo, el elefante volador", de Helen Aberson e Harold Pearl. Agora já com 70 anos, quem diria, é lançada uma edição especial da película, por parte do gigante norte-americano. Para ler no La Vanguardia.

Em dois volumes, que é como quem diz em dois filmes, para fazer render o peixe. Gravações arrancam em Julho. Realização a cargo do senhor abaixo, Guillerme del Toro.

O The Economist dá algumas pistas. Ao baixo, uma representação de Lisbeth Salander, a partir da adaptação europeia da trilogia de Larsson. Relembre-se que os estúdios norte-americanos da Columbia anunciaram recentemente que irão levar ao grande ecrã uma nova adaptação dos livros.

Edição Fnac / Assírio Alvim, por 4 euros. Compilação dos melhores versos de 2009.
Uma edição Tinta-da-China, que já publica as crónicas do outro gato, Ricardo de Araújo Pereira. É favor clicar na imagem para mais detalhes.
Um dos grandes livros de 2009, publicado pela Bertrand (capa abaixo). Recensão para ler no N.Y.Times.


«"To this day I have this wish – she was always religious and she converted to Catholicism. I wish she had converted to Islam. She might still be alive because of the continence of Islam, the austerity, the demands it makes on you. I just sort of helplessly think it every now and then. She would only be 56 now and she'd still be here"». Declarações proferidas em Abu Dhabi, para conferir no The Guardian.

As cartas datam do período 1951-1993 e têm como interlocutor Michael Mitchell, um dos amigos íntimos do autor norte-americano, autor da primeira capa de À espera no centeio. Ler no El Mundo. Fica a pergunta: para quando os inéditos da arca? Para já fica a notícia de, com as cartas, terem sido divulgados 9 contos inéditos.

1. Já víamos Alice a 3D, mesmo sem óculos. Só precisávamos do livro.
2. Com o livro nas mãos, nunca ficámos com dores de cabeça.
3. Tim Burton é um génio, mas Carroll é-lhe superior. Ou dito de outra forma, desta vez Carroll leva vantagem.
4. Alice, de Burton, não é um big fish.

O José Mário Silva sabe-a toda. Sabe-a de tal forma, que seria óbvio que o Senhor Palomar não seria capaz de ler aquele post e não dar resposta. Contudo, a questão de fácil formulação, tem apenas uma resposta de contornos complexos. É a vida.
O Senhor Palomar anda, continuará a andar, por aí. Atento e vigilante. Apenas mais silencioso. Um dia destes, o Senhor Palomar (não sabe quando) volta ao convívio livresco e blogosférico. Novidades aproximam-se, de facto, mas não será para breve.
Até lá, o único desejo é que os leitores continuem a ler bons blogues. Como o do José Mário, pois claro.
O Senhor Palomar gostaria de dizer que se regozija com a alegria dos seus amigos do FCPorto. Conseguir, finalmente, e ao fim de tanto tempo, marcar 5 golos num só jogo deve ser, para os lados das Antas, digno de um feito histórico. Para eles, mas não só para eles, um cálice.
Depois do alucinante "A ofensa", o segundo volume da trilogia, do escritor asturiano, dedicado ao Mal (Porto Editora). Segundo a nota enviada pela editora, «uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. Um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transforma-se na sombra da comunidade.»

Mas ainda assim quer que A Sala Magenta, do grande Mário de Carvalho, seja o vencedor. O anúncio do vencedor do Prémio Corrente D'Escritas será feito no dia 24 de Fevereiro.

Ao dar a morte anunciada (são todas) de Banville. Claramente, as notícias do escritor eram exageradas. Ficam as desculpas do Senhor Palomar e o agradecimento deste narrador ao leitor atento que chamou à atenção para o erro (entretanto corrigido).
Dada a pouca actualização da plataforma, as palavras de Eduardo Coelho são exageradas. No entanto, não é por isso que o Senhor Palomar deixa de gostar de as ler. O Senhor Palomar agradece.

JG Ballard (ao alto), Bellow, Wallace (em ascensão), Miller, Pinter, entre outros. Infelizmente, entre outros. Lista pelo The Guardian.
Poemas Portugueses, Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, organização de Jorge Reis-Sá, Rui Lage.
Raymond Carver, Eduardo Pitta, Milton Fornaro, Pablo Ramos, Hector Abad Faciolince, José Luís Peixoto, Guillermo Cabrera Infante, Roberto Bolaño, Vergílio Ferreira, Mónica Marques, Lourenço Mutarelli, António Manuel Venda, Claudio Magris, Mempo Girardinelli, José Rentes de Carvalho, Arthur Dapieve, Susan Sontag. Caramba.
O Senhor Palomar tem inveja do descaramento da Time Out.
Um bom 2010 a todos.
Henry Miller nasceu a 26 de Dezembro de 1891, tendo falecido a 7 de Junho de 1980, em Nova Iorque. A trilogia "Sexus, Plexus, Nexus" fê-lo entrar definitivamente na História da Literatura. Mas o Senhor Palomar gostaria de deixar claro que nem toda a sua obra é sexo e suor. Há outras obras por descobrir que mostram que o autor não se limitou a descrever o erotismo (ou para alguns, a pornografia).
Quase tão famoso quanto esta trilogia, ou para outros mais famoso, é o seu relacionamento com a Anais Nin. Este relacionamento viria mesmo a dar um filme, Henry and June, com a portuguesa Maria de Medeiros, bem como o livro "Cartas a Anaïs Nin», publicado em Portugal pela Difel.
O Senhor Palomar passa a vida atrasado para os autocarros. Não sabe se confunde os horários, se é a existência, só por si, destas tabelas que o confunde. Isto é algo que ele nunca foi capaz de entender.
Este autocarro era importante. Já passou. Goze-se por isso o bacalhau, o peru e o bolo-rei; as gargalhadas dos sobrinhos, e dos filhos a haver, em redor da árvore com o presépio; os laços e o papel de embrulho que se guardam para a efeméride seguinte. Esqueçam-se os exageros, pondere-se por uma vez andar a pé, que o autocarro nunca espera. As prendas já estão todas compradas, falta só desembrulhar. E gozar o dia.
Um feliz natal a todos.
Obrigado, Tiago, só hoje vi. Um abraço forte.
Em Janeiro, o Senhor Palomar tentará voltar ao ritmo do costume.
O Senhor Palomar agradece a Eduardo Pitta a simpática referência no artigo de balanço da primeira década do século XX, publicado na LER deste mês, e no qual este blogue aparece referenciado como "literário", ao lado de colossos como Ciberescritas, Cadeirão Voltaire ou Bibliotecário de Babel.
Um abraço, Eduardo.
Isabel Alçada diz que introdução do Acordo Ortográfico será de forma "serena".
Comemoram-se hoje 152 anos sobre o nascimento do autor de «O Coração das Trevas», (biografia do autor aqui), recentemente publicado pela Dom Quixote na colecção Biblioteca António Lobo Antunes. Ver outras obras publicadas em Portugal aqui. «Nostromo» é apontada como a obra-prima de Conrad. Ler mais sobre esta obra .
Escritor é um bicho violento, já sabemos. É pouco dado a benevolências para com os seus leitores e se tiver de nos dar um estalo em cheio na cara, não hesita. Escritor é um bicho violento e não se compadece com meias medidas. Vive no extremo e é do limbo que faz o seu dinheiro para colocar o pão na mesa. Porque a verdade é que sendo eles verdadeiros abutres das circunstâncias , precisam de comer como os outros. Convém não esquecer isto, para que depois possamos todos ser um pouco mais compreensivos com algumas opções (ditas) mais fáceis.
30 anos de mau futebol, por João Pombeiro. O editor da LER já compilara as grandes frases políticas do pós-74. Agora fez o mesmo para o futebol. E é todo um banho de bola.
Na elaboração de um livro, o autor escreve, reescreve, elimina, faz escolhas. Perde horas para encontrar uma palavra, desgasta os dias preocupado com a solução para um enigma que o livro lhe trouxe. Não descansa enquanto não tem o problema resolvido, tenta ao máximo que o original seja claro para quem o lê. Desfaz-se em palavras para que o leitor perceba que aquela era a letra que faltava.
Mas quantas vezes, nós leitores, conseguimos vislumbrar este esforço que só trouxe angústia ao autor? Quantas vezes o editor se preocupa com o ofício do autor se ele acha que basta colocar uma cinta, ou um autocolante, que o leitor é tão estúpido que vai ser enganado?
Quantas vezes?
Parece que existem mais editores que editors. Parece que para alguns autores é mais confortável ter um publisher, que compram obras a autores sem as ler. O assistente editorial que se amanhe depois a pescar as ideias no meio da salganhada de frases e parvoíces. Afinal de contas é para isso que ele está. E o publisher, nestes casos, para que serve? E o autor será um verdadeiro autor? Por ligação à publicidade, poderia dizer-se que estes redactores são copys. Embora a designação mais correcta pareça ser paste.
Ou jogador de futebol. Um dos dois. Assim como assim, tudo anda à volta de levantar as pessoas do seu assento, onde estão confortavelmente acomodadas, e esperar pelo aplauso.
Mentir deve estar para os escritores mais ou menos da mesma forma que as bigornas de ferro fundido estão para os ferreiro-armadores. É sobre elas que moldam as ligas de metal, tal como é usando mentiras e o encapotamento que qualquer escritor que se preze avança. A verdade é um instrumento tão maleável quanto a liga de metal fundida que dá origem ao acessório que o ferreiro molda, e que mais tarde usamos para nossa inveja e necessidade. E gáudio, já agora.
Bolaño é um escritor de mão cheia e como tal acha que, com a verdade, pode fazer uso da ficção para nos atirar com a bigorna à cabeça, deixando-nos débeis para toda a vida.
Senhor Roberto Bolaño, deste lado o Senhor Palomar deixa-lhe um recado: o facto de estar morto não lhe dá o direito de nos vir assombrar.
Apresentação de "O Mar em Casablanca", de F.J.Viegas. Discursos preliminares a cargo de Mónica Marques e José Eduardo Agualusa.

Nocturno, de seu nome, a obra será publicada pela Sextante (uma das editoras preferidas do Senhor Palomar. O lançamento é já no dia 24 de Novembro, pelas 21h30 (Ler Devagar - LX Factory).
Cristina Carvalho estreou-se em 1989, com a obra “Até Já Não É Adeus. É filha do professor e poeta Rómulo de Carvalho (António Gedeão) e da escritora Natália Nunes. Publicou contos em várias revistas e jornais (Jornal de Letras, Revista Egoista, entre outros). A sua última incursão na ficção deu-se março deste ano com o romance “O Gato de Uppsala” (ver blogue), também na Sextante Editora.
Blogosfera
Fontes de informação
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